“A água e saneamento são a chave para um desenvolvimento sustentável”

“A água e saneamento são a chave para um desenvolvimento sustentável”

“Quero começar por congratular o embaixador de Portugal no Senegal e a delegação da AICEP pela iniciativa que tem o objetivo de promover o reforço da relação entre Portugal e o Senegal, com enfoque na cooperação institucional e comercial nos campos da água e saneamento”. O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, participou esta terça-feira, dia 21 de setembro, no webinar “Dakar Water Talk”. O evento, promovido pela Embaixada de Portugal em Dakar, pretende estabelecer uma ligação entre Portugal e o Senegal rumo ao 9.º Fórum Mundial da Água que se realiza entre os dias 21 a 26 de março de 2022.

Para o chefe da pasta do Ambiente, iniciativas como a “Water Talk” são de extrema relevância, particularmente no momento atual onde “temos de reinventar a forma de realizar as nossas cooperações bilaterais” e, ao mesmo tempo, “promover o multilateralismo”. Por isso, “incitar as empresas ao multilateralismo é uma dimensão fundamental para a conceção e aplicação de soluções para os desafios globais que enfrentamos”, afinca.

Ainda na ocasião, Matos Fernandes demonstrou solidariedade com o comité internacional do World Water Forum e com o Governo do Senegal: “Não ignoramos que, para além dos desafios logísticos associados à organização de um evento com esta dimensão e complexidade, também enfrentamos uma incerteza adicional resultado dos impactos da pandemia que constitui uma carga  adicional para o governo do Senegal”. Sendo Portugal, parte tradicional do World Water Council, o ministro do Ambiente não tem dúvidas de que o fórum vai ser um “catalisador” do reforço das “excelentes relações existentes” entre os dois países, especialmente na realização do crescente número de projetos e ações: “Podemos ter a certeza que esta edição no Senegal será um passo importante, especialmente quando temos a oportunidade de nos focar nos desafios específicos ainda existentes em África, como a água, o saneamento ou a higiene”.

Nesta relação “histórica” entre Portugal e África, Matos Fernandes lembra que, nos últimos anos, têm sido estabelecidas pontes necessárias que ajudam a consolidar tão diferentes políticas nacionais: “Usamos sempre de ações e projetos comuns com os nossos parceiros africanos, tentando ser eficientes no nosso apoio às suas soluções para os seus desafios”. Apesar do “idioma” ser um impulso que permite estabelecer relações com os países africanos de língua portuguesa, o ministro do Ambiente destaca aquele que tem sido também o esforço para “estender e diversificar” as políticas de cooperação: “Hoje, temos já excelentes exemplos de cooperação institucional com países africanos como a Tunísia, Costa do Marfim ou Marrocos em assuntos ambientais”. E no Senegal existe um “crescente número de empresas portuguesas” a participar em “projetos importantes em vários domínios em áreas desde engenharia à construção, passando pela “consultadoria e assistência técnica”. Ainda assim, é reconhecido o “enorme potencial” para fazer mais e melhor: “A água e saneamento são a chave para um desenvolvimento sustentável nas três dimensões: desenvolvimento económico, igualdade social e qualidade ambiental”. Sendo precisamente os setores mais afetados pelos desafios globais atuais, o ministro reforça a importância de estes serem ultrapassados à medida que os efeitos das alterações climáticas se vão agravando em frequência e na escala de eventos hidrológicos extremos, como inundações ou secas.

Matos Fernandes lembrou que em 1993 Portugal iniciou as reformas institucionais nestes setores e que isso permitiu atingir, nas décadas seguintes, o “atual nível de excelência”: “96% da população abrangida por serviços de fornecimento de água, 85% das casas ligadas a serviços de saneamento e 99% da água monitorizada e segura”. Chamado e reconhecido como o “Milagre português”, foi baseado nas “reformas institucionais desenhadas para estimular instituições empresariais fortes e os recursos necessários para poder construir um ambicioso programa de investimentos”, permitindo “ultrapassar a lacuna de infraestruturas responsáveis pela qualidade dos sistemas de fornecimento de água”, recorda. acrescentando que, olhando para o passado e o caminho trilhado, Portugal é reconhecido internacionalmente como um “caso de sucesso”, podendo inspirar outros países em diferentes regiões do mundo: “Podemos ter orgulho de ter consolidado este setor nacional, mais robusto e reconhecido internacionalmente”.

É por estas razões que Matos Fernandes acredita que Portugal está preparado para participar ativamente no 9.º World Water Forum e dar o seu contributo para mobilizar os países de língua portuguesa para marcar presença nesta edição: “Acreditamos que ter a língua portuguesa e todos os seus intérpretes neste fórum mundial contribuirá, não apenas para alargar o conjunto de soluções mas também para reforçar e diversificar potenciais parcerias e alargar o seu âmbito”.

“O setor está pronto para reforçar a parceria com os seus homólogos senegaleses”, remata o ministro do Ambiente.

Cristiana Macedo