Abrantes centra-se nas “soluções alternativas” para não deixar ninguém para trás no que à mobilidade diz respeito

Abrantes centra-se nas “soluções alternativas” para não deixar ninguém para trás no que à mobilidade diz respeito

É desígnio do município de Abrantes não deixar ninguém para trás no que à mobilidade diz respeito: “Não escondemos que num território de grande dimensão os modelos de transportes públicos tradicionais podem apresentar falhas de cobertura, especialmente nas zonas de baixa densidade populacional, o que nos faz procurar alternativas”. Numa entrevista à Ambiente Magazine, Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, faz um ponto de situação sobre a mobilidade no território.

O município de Abrantes tem uma “rede de transportes capaz de responder às grandes necessidades da comunidade”, começa por afirmar o autarca, assegurando que existem “duas Estações Ferroviárias, linhas autocarros urbanos e interurbanos”, bem como com “uma frota de táxis capazes de cobrir as necessidades daqueles que optam por um transporte público mais individual”. De forma a dar uma “resposta adequada” à população e tonar a mobilidade cada vez mais amiga do ambiente e sustentável, o município tem-se focado nas “soluções alternativas”, como por exemplo, o serviço “LINK”, que vigora desde de dezembro de 2020, do “Transporte a Pedido”, e, que, entretanto, já foi “alargado em toda a região no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo”. Este serviço, explica o autarca, tem a particularidade de funcionar aos fins-de-semana e com horários ao longo do dia para dar resposta às necessidades de transporte existentes: “Por exemplo, para deslocações por motivos de saúde, para acesso ao comércio e serviços, fins turísticos de lazer, entre outras”. Da avaliação que pode ser feita do “LINK”, Manuel Jorge Valamatos não tem dúvidas de que “favoreceu a melhoria da mobilidade nas ligações entre as sedes de concelho do Médio Tejo, em complemento aos serviços existentes de transporte regular de passageiros”.

A aposta na mobilidade é contínua e, por isso, a BGI (Building Global Innovators) desafiou o município de Abrantes e o TAGUSVALLEY (Parque de Ciência e Tecnologia) a associarem-se à edição de 2021 do “Get in the Ring”, uma competição mundial de startups que funciona como um concurso de ideias. A edição deste ano teve como tema a mobilidade sustentável: “Um tema da maior atualidade e pertinência”. E, adianta o autarca, no âmbito do “Contrato Programa” que Abrantes tem estabelecido com o TAGUSVALLEY, uma das grandes apostas passa pela dinamização de “Concursos de Ideias” que possam servir de “estímulo ao surgimento de novas empresas e modelos de negócio” que olhem para o município e para o seu Parque de Ciência e Tecnologia como um “potencial espaço de instalação e investimento”. Desta forma, constatou-se ser uma “excelente oportunidade” promover Abrantes como um “destino de inovação e investimento”, enquanto “permite ter a possibilidade de partilhar experiências com outros municípios que enfrentam desafios de mobilidade semelhantes”.

Abrantes escolheu o “aBUSa” para desafiar as startups a tornar este serviço mais sustentável: “Os municípios identificaram um desafio concreto, sendo que, no nosso caso, identificámos o modelo de funcionamento e os desafios de sustentabilidade relacionados com o aBUSa”. O modelo do serviço é “um complemento à rede de transporte”, permitindo à comunidade ter um “modo de trans­porte rá­pido, eco­nó­mico, se­guro, có­modo e com stress reduzido”, afirma o autarca. Em simultâneo, permite “retirar trânsito do centro his­tó­rico da ci­dade”, reduzindo também a “pro­cura de es­ta­ci­o­na­mento” e “li­ber­tando o espaço nobre da cidade”, tornando-o “mais apra­zível e ami­gável para os peões”.

Com base nos desafios que o serviço enfrenta, as startups desenvolveram projetos, tentando encontrar as melhores soluções e melhorias no atual modelo de funcionamento: “A apresentação dessas propostas aconteceu depois de seguido um modelo de reunião ndividualizado. Posteriormente, as oito melhores propostas identificadas pelos municípios entraram num modelo de competição que encontra a solução e a start up vencedora em cada município”. Depois deste processo, as oito startups disputaram uma “competição nacional” que determinaria a representante de Portugal na competição mundial. Questionado sobre o objetivo do município, Manuel Jorge Valamatos diz que assenta, essencialmente, na “busca da melhoria do serviço à nossa comunidade”, estando certo que, destas apresentações e discussões, “conseguimos retirar mais-valias para o nosso modelo de funcionamento”. A apresentação das propostas dos empreendedores decorreu até ao dia 16 de maio e o autarca faz um balanço bastante positivo: “Foram apresentadas 10 propostas, mais ou menos tecnológicas, algumas das quais com contributos bastante interessantes, mas que podem ser aproveitadas, no seu todo ou em parte, para que se possa construir um novo modelo de mobilidade do aBUSa, garantindo que ele responda, de forma cada vez mais eficaz, às necessidades dos seus utilizadores habituais, promovendo o aumento da sua utilização e da sua sustentabilidade”.

Já sobre os vencedores, o autarca abrantino adianta que a startup AUTOFLEET, baseada em Israel, é a favorita: “Curiosamente, também ganhou o desafio lançado pelo município do Fundão e o concurso nacional, o que significa que Abrantes e o Fundão estarão na final Mundial da competição Get in the Ring, que se disputará em abril do ano que vem”. Após serem conhecidos os projetos, o próximo passo passa pela “participação da final mundial”, o que possibilita ao Município e ao Parque de Ciência e Tecnologia estarem presentes e de ganharem uma “maior visibilidade” no mundo das startups. Relativamente ao desafio lançado por Abrantes, o autarca assegura que o foco passa por continuar a trabalhar de perto com as startups e as várias propostas, de forma a tentarem encontrar aquela que consideram ser a melhor proposta para o modelo de funcionamento do aBUSa: “Para este desafio, contamos com o apoio da BGI e da EIT Mobility – um dos grandes patrocinadores deste evento”, sucinta.

Em matérias de mobilidade, qual é o vosso maior desejo?

Os nossos desejos passam por construir uma malha de respostas de mobilidade à medida das diferentes necessidades dos cidadãos, dos que cá vivem, dos que cá trabalham e dos que nos visitam, no fundo pretendemos com a mobilidade contribuir para aumentar os níveis de acesso à mobilidade dentro do concelho, sempre com as preocupações ambientais enquanto um dos seus pilares de desenvolvimento. No fundo, trabalhamos para mostrar que Abrantes é um bom destino para se viver, com elevados níveis de qualidade de vida e incluindo aqueles respeitantes às questões da mobilidade.

 

Cristiana Macedo