Águas de Portugal integra projeto europeu para melhorar qualidade da água

As lamas que resultam dos processos de purificação de água para consumo humano podem ser usadas para melhorar o tratamento das águas residuais através da sua utilização em zonas húmidas artificiais, contribuindo para a remoção de nutrientes e compostos orgânicos e para a biodiversidade e promovendo a economia circular no ciclo urbano da água. A eficácia deste processo está a ser demonstrada através do projeto “LIFE RENATURWAT – Integração da economia circular e da biodiversidade nos tratamentos sustentáveis ​​da água através de zonas húmidas artificiais”.

O projeto que está a ser desenvolvido por um consórcio europeu coordenado pelo IIAMA-UPV- Instituto de Engenharia Hídrica e Ambiental da Universidade Politécnica de Valência conta com a participação da Águas de Portugal, da EMIVASA – Águas de Valência, da Global Omnium Medioambiente SL, do Grupo de Economia da Água da Universidade de Valência (GEA-UV), do EFEverde da agência noticiosa espanhola EFE e da Fundação Global Nature.

Após vários anos de trabalho em laboratório, será feita agora a “demonstração da melhoria do tratamento das águas residuais numa zona húmida artificial com recurso às lamas que resultam do processo de decantação da água em Estações de Tratamento de Água (ETA)”, explica a Águas de Portugal em comunicado. Este material adsorvente deixa de ser um resíduo gerado no processo de purificação da água para ser “reaproveitado como recurso para melhorar a remoção de nutrientes e compostos orgânicos das águas residuais”, refere o mesmo comunicado.

O piloto de demonstração será instalado na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Vall dels Alcalans, que serve as cidades de Monstserrat, Montroy e Real (Valência, Espanha) onde será construída uma zona húmida artificial de escoamento vertical com o substrato ativo (lamas de decantação) que irá funcionar como tratamento de afinação de parte do efluente da ETAR. Segundo o Grupo Águas de Portugal, vão ser ainda construídas “duas pequenas zonas húmidas de escoamento superficial, semelhantes a pequenas lagoas, que vão melhorar a biodiversidade da água tratada antes da sua descarga no rio Magro”.

Tendo presente os resultados deste caso de estudo inovador, o Grupo Águas de Portugal irá desenvolver um plano para instalação da solução numa das suas ETAR na região Norte.

Com um orçamento global de 1.893.955,00 euros, financiado em 55% pela Comissão Europeia através do Programa LIFE 2014-2020, e 42 meses de duração, o LIFE RENATURWAT vai contribuir para o “cumprimento dos objetivos de qualidade da água” definidos na Diretiva Quadro da Água e na Diretiva das Águas Residuais Urbanas e para “promover a economia circular no ciclo urbano da água”. Além disso, o projeto irá também abordar o “impacto económico da reutilização das lamas” e a “transferibilidade nacional e internacional da solução” (começando por Portugal), promovendo um “envolvimento alargado dos vários setores da sociedade”, declara o grupo Águas de Portugal.