A Águas do Alto Alentejo está a reforçar o investimento na modernização da rede de abastecimento com o objetivo de combater utilizações ilegais e reduzir as perdas de água no sistema. A meta definida pela empresa passa por atingir o chamado “ilícito zero”, eliminando totalmente as ligações clandestinas e outras irregularidades na rede pública.
De acordo com a empresa, responsável pelo abastecimento de água e saneamento em cerca de dois terços do Alto Alentejo, já foram investidos 9,6 milhões de euros na renovação de infraestruturas, na aquisição de equipamentos e na implementação de tecnologia baseada em inteligência artificial. Estes sistemas permitem uma monitorização contínua da rede, facilitando a deteção de fugas e a identificação de consumos irregulares.
Um dos principais desafios apontados pela empresa para os próximos anos é a redução da chamada água não faturada, que corresponde à diferença entre o volume de água que entra no sistema de distribuição e o volume efetivamente faturado aos consumidores.
Segundo o diretor-geral da empresa, Rui Choças, este fenómeno resulta, em parte, de ligações clandestinas à rede pública e de manipulações destinadas a diminuir artificialmente os consumos registados. “O utilizadores cumpridores não podem ser prejudicados devido a situações irregulares praticadas por outros”, afirmou o responsável.
No último ano, a empresa eliminou 106 situações ilícitas e substituiu 30 mil contadores, contribuindo para uma evolução positiva nos indicadores de perdas de água. Desde o início da sua atividade, registou-se uma redução de 12% na água não faturada, o que permitiu diminuir a compra de água à Águas do Vale do Tejo em cerca de 400 mil metros cúbicos.
A empresa estabeleceu como objetivo intermédio reduzir em 20% a água não faturada até 2030. Para alcançar essa meta, está em curso um investimento adicional de seis milhões de euros em projetos de eficiência hídrica.
Paralelamente ao combate às irregularidades, a empresa tem mantido um ritmo elevado de intervenções na rede. Só em 2025 foram realizados 5.125 trabalhos de manutenção, dos quais 3.347 na rede de abastecimento e 1.868 na rede de saneamento, o que corresponde, em média, a nove intervenções diárias no abastecimento e cinco no saneamento.
Desde outubro de 2024, a empresa tem também apostado na atualização do cadastro da rede e na deteção ativa de fugas. Nesse período, foram atualizados cerca de 500 quilómetros de rede e reparadas 680 fugas não visíveis à superfície, identificadas através de sistemas de monitorização.









































