Alunos da escola Alexandre Herculano vão plantar 130 azinheiras

Alunos da escola Alexandre Herculano vão plantar 130 azinheiras

Categoria Sensibilização

Alunos da escola Alexandre Herculano, em Santarém, vão plantar na quinta-feira 130 azinheiras, criando o primeiro “sumidouro de CO2 escolar” no concelho, num evento que assinala o Dia da Floresta Autóctone. Estas árvores fazem parte das 650 azinheiras (“Quercus rotundifolia”) entregues este mês, no âmbito do projeto “Raízes da Sustentabilidade”, para a constituição de 10 novos sumidouros de dióxido de carbono (CO2), que se juntam aos seis criados em 2016 e ao que foi pioneiro em 2015, envolvendo famílias que possuem terrenos e que se comprometem a plantar, a cuidar e a preservar as árvores nas próximas décadas.

O projeto, dinamizado pela Equipa Multidisciplinar de Ação para a Sustentabilidade (EMAS) da Câmara de Santarém, procura promover a redução dos gases com efeito de estufa, bem como a proteção e a preservação das espécies autóctones.

Com mais de 2.000 árvores distribuídas (sobreiros, pinheiros-mansos e azinheiras), até ao momento foram envolvidas um total de 166 famílias – às que aceitaram o compromisso de constituir sumidouros juntam-se mais de uma centena que quiseram plantar pelo menos uma árvore no quintal.

Margarida da Franca, diretora do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, disse à Lusa que o projeto do município encaixou na perfeição na vontade de florestar os 4,2 hectares de terreno da escola, de onde a direção conseguiu retirar um eucaliptal.

As 130 azinheiras que vão ser plantadas na quinta-feira pelos alunos que frequentam o Clube do Ambiente da escola, por cada uma das turmas do 5.º ao 9.º ano e ainda por meninos dos jardins de- infância e do primeiro ciclo, juntam-se às árvores autóctones e de fruto que foram sendo plantadas ao longo dos anos, algumas das quais receberam os nomes de quem as plantou.

“Vamos plantando o que temos. As pessoas aderem e começam a oferecer, uns trouxeram loureiros e outras árvores autóctones” e de fruto, disse a diretora da escola, referindo os medronheiros, os pinheiros, as laranjeiras, as figueiras ou as amoreiras, que exibem ainda as “etiquetas” identificando as turmas que as plantaram, as regam e as protegem, sinalizando a vertente educativa da iniciativa.

A vereadora da Câmara de Santarém com o pelouro do Ambiente, Inês Barroso, salientou a importância da adesão das escolas a um projeto que visa a mitigação das alterações climáticas, passando a mensagem aos mais jovens e confiando que porão “em prática melhores procedimentos” que as gerações que os antecederam.

Além da Alexandre Herculano, o Agrupamento Afonso Henriques, que abrange freguesias rurais no norte do concelho, vai plantar cerca de 50 azinheiras nas várias escolas, adiantou.

Inês Barroso sublinhou a “enorme adesão por parte das famílias” e o facto de o projeto abranger já nove das 18 freguesias do concelho.

Em novembro de 2015, a família Veiga Branco foi a primeira a assinar, com a Câmara de Santarém, um compromisso em que assumiu plantar, na quinta onde reside, em Vale de Figueira, os 325 pequenos sobreiros que lhe foram entregues, cuidar deles e assegurar que durante 50 anos não serão cortados. Dois anos depois, Susana Veiga Branco esteve, com o filho, na cerimónia de entrega das azinheiras às nove famílias que este ano se juntaram ao projeto para dar testemunho do “desafio” que tem sido este “compromisso com o ambiente”, assumido como “um projeto familiar”. Susana Veiga Branco não escondeu as dificuldades, em particular porque a sua família (o casal e os dois filhos ainda crianças, a que acabou por se juntar o avô) assumiu o compromisso de ser ela própria a cuidar dos mais de 300 sobreiros que recebeu, regando cada um deles e retirando as ervas, já que a opção foi a de não usar qualquer químico.

A parceria com a EMAS, que monitoriza e acompanha o projeto com aconselhamento do Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF), tem sido fundamental, tendo ficado a promessa de que vai ser encontrada uma solução para afastar os coelhos que têm arrancado alguns dos sobreiros.