Área ardida em Portugal pode ser “duas a três vezes superior” em 2075

Área ardida em Portugal pode ser “duas a três vezes superior” em 2075

A área ardida em Portugal poderá “ser duas ou três vezes superior” em 2075 se nada for alterado no combate aos fogos e no uso dos solos, afirmou ontem Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), num seminário promovido pela Estrutura de Missão para a Instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais.O responsável, que foi um dos revisores do relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), adiantou que esta previsão dependerá da atividade humana do combate aos fogos e do uso do solo, existindo uma série de medidas que podem evitar esse aumento da área ardida em Portugal.

Na conferência, que decorreu durante a tarde de ontem, na Fundação Gulbenkian, Filipe Duarte Santos, também professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, traçou um cenário muito pouco animador para o futuro de Portugal, que vai ter menos chuva, secas mais frequentes e intensas, fazendo com que o risco de incêndio florestal aumente. “Pode acontecer que se torne impossível criar valor económico para as florestas nas zonas central e norte de Portugal, o que significaria que iremos ter, até ao final do século, apenas florestas residuais”, sustentou.

Nesse sentido, considerou que a questão de “dar valor económico às florestas é central neste problema”. “Se conseguirmos dar valor económico às florestas as coisas são evidentemente muito mais difíceis”, disse, enumerando três condições necessárias para que se diminua a área da floresta ardida em Portugal.

Segundo o especialista, é necessário diminuir o número de fogos florestais, reduzir o despovoamento gradual das áreas rurais e aumentar o controlo dos proprietários da floresta. Filipe Duarte Santos sublinhou que isto é fundamental, mas questionou se mesmo assim será suficiente.

No seminário com o tema “Proteção das comunidades em cenário de incêndio rural”, José Miguel Cardoso Pereira e José Manuel Lima Santos, do Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, apresentaram o projeto piloto que estão a desenvolver na aldeia de Alvares, no concelho de Góis, e que no ano passado viu arder cerca de 80% da sua área.

Já o canadiano Kelvin Hirsch, perito com mais de 35 anos em alterações climáticas e incêndios florestais, apresentou o sistema de prevenção e combate aos incêndios no Canadá em resposta às alterações climáticas, dando a conhecer o programa ‘FireSmart Communities’ de sensibilização das comunidades rurais face à ameaça de risco de incêndio.

Na conferência, o presidente da Estrutura de Missão para a Instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, considerou que “não basta gerir faixas” nem “limpar os matos à volta das casas”, sendo importante que a comunidade “vá para lá disso”, como educação, treino conjunto com as forças e preparação. Tiago Martins Oliveira avançou que está a ser preparado o projeto ‘aldeias seguras’ e ‘rede de alertas’, que consiste em ajudar a preparar as comunidades para os fogos florestais.