Austrália aprova controverso projeto mineiro perto da Grande Barreira de Coral

Austrália aprova controverso projeto mineiro perto da Grande Barreira de Coral

A Austrália deu hoje “luz verde” ao grupo indiano Adani para construir a maior mina de carvão do país, criticada pelo potencial impacto na Grande Barreira de Coral, classificada pela UNESCO como Património Mundial, noticia a Lusa.

A decisão das autoridades australianas foi anunciada pelo próprio grupo indiano que espera iniciar em breve os trabalhos relativos à mina Carmichael, situada no estado de Queensland, depois de uma série de obstáculos processuais e judiciais, que atrasaram em sete anos o arranque do controverso projeto.

O presidente do grupo indiano, Gautam Adani, explicou que o conselho de administração tomou a “sua decisão final de investimento”, assinando “o lançamento oficial” do projeto, avaliado em 21,7 mil milhões de dólares australianos (14,4 mil milhões de euros). O grupo indiano ainda não tem, contudo, garantido o financiamento total, depois dos quatro principais bancos da Austrália se terem distanciado do controverso projeto.

Defensores do ambiente argumentam que o carvão que vai ser produzido – 60 milhões de toneladas de carvão térmico por ano com destino à Índia – vai contribuir para o aquecimento global e degradar a Grande Barreira de Coral, destacando ainda que a matéria-prima vai ser transportada a partir de terminais de um porto próximo daquele que é maior recife de coral do mundo. Os trabalhos de construção preliminares da mina de carvão vão iniciar-se no último trimestre do ano, segundo a Adani que prevê criar direta ou indiretamente 10.000 empregos.

A Grande Barreira de Coral, declarada Património da Humanidade em 1981, com 2.500 recifes individuais que albergam corais únicos, 1.500 espécies de peixe e milhares de tipos de moluscos, começou a deteriorar-se na década de 1990 devido ao duplo impacto do aquecimento da água do mar e do aumento do grau de acidez por causa de uma presença maior de dióxido de carbono na atmosfera.

O local, com uma área superior a 345 mil quilómetros quadrados ao largo da costa leste da Austrália, escapou, em 2015, de ser classificado pela UNESCO como estando em perigo, tendo Camberra anunciando um plano de preservação para as próximas décadas.

*Foto de Reuters