Back Market quer tornar a tecnologia recondicionada como primeira escolha dos consumidores

Back Market quer tornar a tecnologia recondicionada como primeira escolha dos consumidores

A Economia Circular está, hoje, subjacente em muitas empresas. Produtos sustentáveis, amigos do ambiente e com um ciclo de vida longo são, cada vez mais, uma opção. Há também quem ponha em prática estes conceitos e desenvolva os seus próprios produtos. Com o objetivo de dar “voz” a projetos de cariz sustentável, a Ambiente Magazine dá a conhecer mais uma iniciativa, desta vez, é o projeto “Back Market”.

Foi em 2014, em França, que surgiu o Back Market. Primeiramente, reconhecido como uma das primeiras empresas e dispositivos recondicionados na Europa, hoje é “líder mundial” no mercado de tecnologia renovada: “Vendemos aparelhos eletrónicos recondicionados de alta qualidade para clientes em 16 países do mundo”, começa por dizer Thibaud Hug de Larauze, Co-founder & CEO do Back Market.

Já a chegada a Portugal aconteceu em maio deste ano: “Somos uma plataforma onde as pessoas podem comprar aparelhos tecnológicos recondicionados, com todas as garantias, segurança e ainda a certeza de que estão a evitar contribuir para o aumento das emissões de CO2”. Atualmente, servem mais de cinco milhões de clientes pelo mundo, mas o objetivo é consolidar a expansão: “Queremos ser um catalisador de mudança e conduzir debates sobre a forma como se compra e consome tecnologia”.

Quando questionado sobre o objetivo do Back Market, Thibaud Hug de Larauze é claro: “Queremos fazer da tecnologia recondicionada a primeira escolha dos consumidores, e não apenas uma opção”.

Desde os telemóveis, tablets, computadores, acessórios informáticos, auriculares, material de fotografia e drones, consolas, televisões e acessórios de cinema, pequenos eletrodomésticos até aos produtos de beleza e bem-estar, são vários produtos eletrónicos recondicionados que disponibilizam ao mercado. É, precisamente, a possibilidade de oferecer um “consumo mais consciente” que diferencia esta plataforma: “Os nossos consumidores, além de conseguirem comprar produtos com uma elevada qualidade, com um prazo de 30 dias para devolução e entre 12 até 24 meses garantia sobre os produtos, estão a contribuir para a sustentabilidade do planeta ao evitarem o impacto causado pela compra de um aparelho novo”. Acresce que os produtos disponibilizados no Back Market têm a vantagem de “democratizar” o acesso à tecnologia, uma vez que “os preços praticados são significativamente mais baixos do que os vistos nos produtos novos: entre 30% a 70% mais baratos”, refere.

Apesar dos recondicionados serem aparelhos usados, estão em perfeitas condições de utilização

De acordo com Thibaud Hug de Larauze, o digital representa perto de 4% das emissões globais de carbono, a nível global, e a produção de eletrónica é responsável por quase metade deste valor. Além disso, existe um “grande impacto também na quantidade de lixo produzido”, que se relaciona com o “descarte de produtos” para dar espaço à aquisição de dispositivos novos: “Estima-se que, em 2040, a tecnologia de comunicação seja responsável por 14% das emissões de CO2”. Já em Portugal, os estudos indicam que os números não são os mais apelativos: “O país está aquém das metas europeias nos temas da economia circular”. Algo que não ajuda na equação é o facto de os aparelhos tecnológicos terem um peso em tais: “Se olharmos especificamente para o tema do lixo eletrónico existe, em média, um consumo de 220 mil toneladas de novos equipamentos elétricos e eletrónicos ao ano”. Segundo a diretiva europeia que sugere a recolha de 65% da média dos equipamentos vendidos, nos últimos três anos, Portugal deveria ter recolhido perto de 130 mil toneladas de lixo eletrónico: “A verdade é que não estamos perto desse valor”, lamenta.

Para minimizar tal impacto, o CEO da Back Market defende a importância da “consciencialização” quer seja pelas empresas, quer seja pelos consumidores, sobre os impactos das escolhas: “É crucial para a resposta à urgência da alteração os hábitos de consumo, que devem ser mais conscientes e sustentáveis”. De forma prática, a aplicação desta “consciência ecológica” pode ser transcrita no “reconhecimento da real “validade” dos produtos tecnológicos”, que é “maior do que aquela que lhes atribuímos normalmente”, resultando em “telemóveis que acabam por ser trocados (e tratados como lixo eletrónico) sem verdadeira necessidade”, explica. Depois, quando é mesmo preciso trocar de aparelho, aquilo que o responsável defende é que se faça uma avaliação sobre as “opções” que existem no mercado e sobre as “soluções” que existem, por exemplo, no Back Market, apelando ao consumo de “produtos recondicionados: devem passar a ser a primeira escolha”.

Apesar do “longo caminho” que Portugal tem para fazer nestas matérias, Thibaud Hug de Larauze reconhece que existe uma consciência e um interesse crescente nos temas da sustentabilidade, em especial pelas gerações mais novas, como foi possível perceber numa consulta pública organizada pelo Governo português, no ano passado, no âmbito da preparação do Plano de Ação Social Europeu: “Nesta iniciativa foram ouvidas crianças – entre os oito e os quinze anos – e uma das principais preocupações por elas manifestadas foi o futuro do planeta e as questões da sustentabilidade”. A consciência sobre o tema começa a ser uma “realidade presente”, refere, desatando que começam a ser tomadas ações em concordância: “De hoje em diante é necessário que sejam alargadas a todas as áreas de vida e consumo e cada vez mais fomentadas junto dos pares”. Já sobre a “desmitificação” em torno desta matéria, o CEO da Back Market acredita que é importante “incitar o interesse” sobre o tema da sustentabilidade e que as opções de “green tech” sejam mais visíveis, tornando-se numa” escolha clara” por parte dos consumidores. Depois, de forma particular no mercado dos recondicionados, é preciso que “as pessoas estejam dispostas a experimentar estes produtos para perceberem que, apesar dos recondicionados serem aparelhos usados, estão em perfeitas condições de utilização, passam por rigorosos testes para o confirmar e apresentam prazos de devolução e garantia”, precisa.  Um bom exemplo daquele que tem sido o esforço de toda a equipa do Back Market é que, até à data, já reduziram as taxas globais de defeitos dos produtos da plataforma para menos de 5%: “Para referência, a taxa de falhas não oficiais de novos dispositivos ronda os 3%. Veja-se o iPhone X e o iPhone 8 Plus, que saíram ambos no final de 2017, e registaram uma taxa de falhas de 3% no primeiro trimestre de 2018”, remata.

Quais as perspetivas para o futuro sobre esta área?

“Começa a verificar-se a existência de uma maior consciência ambiental no consumo, o que deverá vir a crescer. Assim, no futuro, e a bem da preservação do planeta, o modelo de economia circular deverá tornar-se a primeira opção e não continuar apenas como uma alternativa, incluindo na tecnologia. As razões para que os consumidores optem por produtos recondicionados são claras, por isso, acreditamos no desenvolvimento da área”.