Bandora e as tecnologias verdes: “o que a IA faz, na prática, é transformar dados em decisões”
O futuro das tecnologias verdes está cada vez mais ligado à capacidade de aprender, adaptar e intervir de forma inteligente, oferecendo soluções que combinam inovação tecnológica com responsabilidade ambiental. Assim, a Ambiente Magazine procurou junto da Bandora perceber como isto se aplica à realidade desta empresa. A CEO Márcia Pereira explica tudo.
Como é que a Bandora encara as tecnologias verdes?
Na Bandora, entendemos que as tecnologias verdes são aquelas que permitem uma redução do consumo energético aquando da sua adoção. Desde o início, acreditamos que a inovação tecnológica deveria ter um propósito ambiental e social, por isso, foi exatamente a partir deste princípio que nasceu a solução. Usamos tecnologia para reduzir o consumo energético dos edifícios e, ao mesmo tempo, melhorar o conforto e o bem-estar de todos os seus ocupantes.
E o potencial da IA no setor da energia?
Os sistemas de ar condicionado, que são o nosso foco, funcionam, em grande parte dos casos, por via de um controlo manual, atuado de forma empírica e reativo ao feedback humano. Este tipo de gestão é muito ineficiente, depende fortemente da intervenção e supervisão dos técnicos de manutenção e é claramente insuficiente. Neste caso, a IA tem um papel na otimização do consumo energético e na orquestração dos equipamentos, ao permitir a automação e a antecipação, contribuindo diretamente para a eficiência energética dos edifícios.

A Bandora utiliza modelos preditivos que captam e registam o comportamento térmico de cada edifício, adaptando-se consoante a informação dos dados armazenados, as condições meteorológicas e o padrão de utilização. Através da IA, os sistemas de climatização são ajustados de forma autónoma e, por isso, mais eficazes e eficientes, reduzindo custos e emissões e garantindo o conforto dos ocupantes dos edifícios, para que se possam dedicar às suas atividades sem outras preocupações.
Como é que a IA pode otimizar a eficiência energética?
O que a IA faz, na prática, é transformar dados em decisões. Um sistema de ar condicionado de um edifício está constantemente a gerar informação, desde a temperatura até ao consumo elétrico. A partir destes registos, a IA analisa e interpreta os dados em tempo real de forma a criar padrões e relações entre as diferentes leituras e cruzar com dados climáticos, de ocupação, tarifas de energia, entre outros. Desta forma, é possível prever o comportamento térmico dos edifícios e encontrar o ponto de equilíbrio entre o consumo energético e o conforto dos ocupantes do edifício.
O resultado é uma redução verdadeiramente significativa do valor na fatura de energia e no impacto ambiental, sem nunca comprometer o bem-estar das pessoas. Ou seja, a IA acaba por nos ajudar a trabalhar com base na antecipação e não com foco na reação.
Em que projetos tem apostado a Bandora neste sentido?
A nossa principal aposta tem sido, sobretudo, em edifícios comerciais de retalho e restauração, que são onde a nossa solução é facilmente replicada. Estes edifícios têm consumos e desperdícios de energia mais elevados e, por isso, melhorias mais significativas e pertinentes após a integração da solução Bandora. No entanto, temos também a nossa tecnologia implementada noutro tipo de edifícios onde o conforto é uma prioridade, como em hotéis e escritórios, por exemplo.
O nosso processo de internacionalização também está a ser bastante rápido, o que é ótimo, e estamos particularmente entusiasmados com a chegada aos Estados Unidos e ao Catar. Para o primeiro mercado, estamos focados na restauração, especialmente, e como não podia deixar de ser, nas cadeias de fast food, uma vez que a quantidade de franchisados no país representa, de facto, uma grande oportunidade. Já no Catar, mercado no qual nos estamos a integrar no âmbito do programa governamental TASMU Smart Qatar, vamos aproveitar para explorar o segmento dos data centers, que tem um enorme potencial, principalmente nesta região do Golfo.
No entanto, todos os projetos, e independentemente do mercado ou do país em que se inserem, têm em comum o propósito de demonstrar que é possível garantir conforto e, ao mesmo tempo, a rentabilidade e a sustentabilidade, através da integração de IA nos sistemas de ar condicionado.
Quais os principais desafios à aplicação de tecnologias verdes/IA no setor energético?
O maior desafio é a fragmentação: demasiados sistemas que não “falam” entre si, o que dificulta aplicar IA em escala. Para além disso, a integração da tecnologia em edifícios antigos e sistemas datados dificulta a entrada da IA, já que muitos destes edifícios não foram projetados para receber equipamentos de IA ou até mesmo automação. Desta forma, a implementação de IA traz, muitas vezes, algum tipo de custo adicional, dificultando assim a entrada deste tipo de soluções no mercado. Além disso, a complexidade da tecnologia que aparenta, pode muitas vezes criar algum tipo de resistência por parte dos responsáveis dos edifícios, que nem sempre veem o potencial que uma ferramenta de IA pode ter no edifício e no meio ambiente.
A Bandora distingue-se por ser uma solução de fácil implementação e compreensão. Conseguimos fazer a ponte entre o dia a dia de um edifício e uma ferramenta de IA, trazendo vantagens de forma célere e fácil.