BCSD apresenta ponto de situação relativo ao Meet 2030

BCSD apresenta ponto de situação relativo ao Meet 2030

“Energia, clima e crescimento económico – oportunidades de negócio em Portugal” foi este o mote do evento, que decorreu recentemente na Fundação Gulbenkian, onde o BCSD – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável apresentou parte do trabalho que está a decorrer no âmbito do projeto Meet 2030.

Carlos Martins

Esta iniciativa contou com a presença de Sofia Santos, secretária geral do BCSD Portugal, Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente, Richard Baron, team leader da área de mitigação da direção de ambiente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e ainda, AkshayPatki, responsável pelas políticas públicas da unidade de avaliação estratégica e económica da DG Clima da Comissão Europeia.

“Em que ponto estará Portugal em 2030, relativamente às emissões de gases com efeito de estufa? E em 2050?” Estas são apenas algumas das questões de que se falaram numa iniciativa que tinha como objetivo “pensar no futuro” de Portugal, num quadro de redução e descarbonização das sociedades face às emissões de dióxido de carbono. Acompanhando as linhas do Acordo de Paris, aprovado no fim de 2015, Sofia Santos, secretária geral do BCSD Portugal, abriu esta sessão, descrita como um “momento de reflexão e imaginário do que poderá ser Portugal em 2030” e slientando o objetivo final do projeto Meet 2030, que pretende já este ano, em Novembro, apresentar um relatório, onde irão constar algumas propostas no âmbito de sustentabilidade ambiental.

Seguidamente, Carlos Martins, secretário de Estado do Ambiente, começou por destacar os esforços que o país tem feito neste âmbito, sendo que “Portugal deve estar seguramente na linha da frente no combate às alterações climáticas”. Destacando a política do atual executivo, o governante realçou a importância de neutralidade carbónica na metade deste século, tendo em conta, “o risco de que uma boa parte do território possa ter porblemas referentes às alterações climáticas”.

Para isso, refere, o país deve optar por um “mix energético” focando-se, em especial, no setor dos transportes, aumentando a qualidade e oferta dos transportes públicos. Numa segunda vertente, Carlos Martins defendeu a aposta na reabilitação e requalificação de edifícios públicos, anunciando que o Governo irá disponibilizar 50 milhões de euros de apoio à reconversão urbana.

De forma menos ortodoxa, Richard Baron, team leader da área de mitigação da direção de ambiente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), através de videoconferência, veio salientar a importância de se “investir no clima que é por sua vez, um investimento no crescimento” e que é necessário sobretudo “passar a mensagem” numa altura em que os Estados Unidos decidiram, através do seu presidente Donald Trump, abandonar o Acordo de Paris.

Akshay Patki

Numa versão mais governativa, Akshay Patki, responsável pelas políticas públicas da unidade de avaliação estratégica e económica da DG Clima da Comissão Europeia, frisou que este acordo constitui-se com uma “vitória da diplomacia europeia”, sendo que as políticas europeias devem continuar a apostar na reabilitação de edifícios, no transporte e na agricultura.

Numa segunda parte desta encontro, Tiago Domingos, professor associado do Instituto Superior Técnico, com quem o BCSD estabeleceu parceria e, António Alvarenga, diretor executivo da ALVA Research and Consulting, que puderam apresentar um ponto de situação sobre o Meet 2030. Recorde-se que o objetivo destes seminários é reunir num relatório final para ser apresentado à sociedade civil ainda este ano.
Até ao momento, o projeto que vai a meio, já realizou 3 workshops onde reuniu as empresas associadas, que começaram por ser uma reflexão de onde saíram incertezas, para que, posteriormente, se criassem diferentes cenários. Com isto, explicam os responsáveis, pretende-se “definir uma visão a longo prazo; construir futuros possíveis” e tentar perceber “como vai Portugal crescer e criar emprego” numa perspetiva de neutralidade carbónica, que o país espera alcançar até ao ano de 2050.

*Este artigo foi publicado na Ambiente Magazine 75.

Ricardo Ramos Gonçalves