Beg4: Depois de ouvir discos de vinil até os riscar, reutilizá-los como malas

Beg4: Depois de ouvir discos de vinil até os riscar, reutilizá-los como malas

O Greenfest chegou ao fim, no domingo, e muitas foram as marcas e empresas que ali se estrearam este ano. Como é o caso da Beg4, marca de malas em disco de vinil, pela mão de Isabel Almeida.

Tudo começou com a paixão pela costura e por uma adolescente que, apaixonada por música antiga, pedia para usar um disco de vinil como mala. “Ó mãe tu és tão criativa. Tens de me fazer uma mala de disco de vinil”, dizia a filha de Isabel Almeida.

Isabel lá pegou no “Yellow Submarine“, dos The Beatles — já velhinho e riscado –, que “nasceu” no mesmo dia que ela: 13 de janeiro de 1966. “Achei giro e lá consegui fazê-lo a muito custo porque é difícil furar discos”, garante a criadora que revela que só a cozer o disco ao tecido demora cerca de cinco horas. “Partem-se muitos discos. Compram-se na feira riscados mas são caros”, acrescenta.

Ofereceu a mala à filha e, a partir daí, foram as amigas da faculdade e as colegas de trabalho de Isabel a pedirem mais malas. De dia trabalha na Câmara Municipal de Cascais e, à noite, no conforto do seu lar, Isabel costura discos de vinil.

O que é um disco de vinil e ouvi-lo até riscar

A Beg4 teve a sua estreia no Greenfest deste ano e revela-se satisfeita com a experiência. Sobretudo em relação ao contacto com os jovens.  “As crianças não têm noção do que é um disco de vinil”, garante Isabel Almeida.

Os dois primeiros dias do Greenfest foram dedicados às escolas e muitos foram os alunos que por ali passaram, pelo expositor da Beg4. Uns perguntavam à professora o que era aquilo, outros diziam ser um CD. Isabel até foi convidada por alunos da secundária para ir até às escolas falar do seu projeto na área da sustentabilidade e empreendedorismo.

A ideia é sempre reutilizar os discos de vinil e não destruir a sua música, que é a sua essência. “Senão acho um crime”, garante Isabel Almeida. “Primeiro ouvimos o disco, mesmo quando o compramos e vemos que está riscado. Ouvimos para ver se realmente está inaudível e só então o furamos.”

As malas têm diferentes tamanhos, há pequenas e grandes, com o preço a variar entre os 30 e os 60 euros. São forradas no interior e têm fecho. Vêm acompanhadas de duas alças – uma mais desportiva para usar de dia e uma mais clássica a pensar nas saídas à noite.

Rita Inácio