Biomassa: uma oportunidade de crescimento para o setor agrícola e florestal português

Biomassa: uma oportunidade de crescimento para o setor agrícola e florestal português

Categoria Advisor, Investigação

Com mais de um milhão de toneladas/ano de resíduos de origem agrícola e de mais de 1,7 milhões de toneladas/ano de resíduos florestais “verdes” + 750k toneladas/ano de resíduos vegetais secos, Portugal tem na Biomassa uma nova oportunidade de desenvolvimento e crescimento, sobretudo para os setores agrícola e florestal, revela um novo estudo do BIC- Bio-based Industries Consortium.

Adicionalmente, em Portugal existem também diferentes categorias de biomassa, com maiores concentrações em regiões específicas (por ex. cerais, tomates e azeitonas na região centro do Alentejo; pinheiro bravo e eucalipto na região litoral centro), o que nos dá indicadores de que as biorefinarias locais, alimentadas de matérias- primas específicas seriam sustentáveis.O valor monetário desta biomassa de matérias-primas depende da sua utilização. No entanto, se for queimada para produzir energia terá um valor claramente inferior caso venha a ser utilizada para produzir produtos químicos e outros materiais. A criação de biorefinarias para converterem matérias-primas em produtos químicos e outros materiais de valor acrescentado com várias finalidades, entre as quais a alimentação humana e a alimentação animal, poderá requerer investimentos elevados. Por isso, é preciso definir o negócio e qual o modelo que lhe deve corresponder caso a caso.

O BIC, o parceiro privado da Bio-based Industries Joint Undertaking (BBI JU), acaba de publicar três novos estudos que mapeiam o potencial e identificam as oportunidades de expansão das bioindústrias em Portugal, na Polónia e na Roménia. Estes estudos, realizados por país, são os primeiros de uma série de publicações do BIC que visam identificar oportunidades de expansão das bioindústrias na Europa, num esforço de equilibrar esta nova realidade nos vários países e de contribuir para a criação de uma bioindústria de base europeia que se possa afirmar à escala global.

Os estudos destacam também os resultados do exercício de mapeamento das fontes locais de biomassa, que poderão ser utilizadas como matéria-prima sustentável para as atividades industriais bio-baseadas, bem como os principais atores e os setores mais relevantes em cada país.

Dirk Carrez, diretor executivo do BIC, afirma a este propósito: “Estes estudos revelam a existência de um enorme potencial de desenvolvimento da bioindústria local em Portugal, na Polónia e na Roménia. Estes três países estão neste momento a criar as suas estratégias nacionais para a bioeconomia, que contribuirão para desenvolver as atividades das indústrias bio-baseadas. O estabelecimento de uma parceria com o BIC e com o BBI JU irá ajudar os vários intervenientes locais a acelerarem o potencial da bioeconomia no seu país e, ao mesmo tempo, fortalecerá o desenvolvimento de uma bioeconomia Europeia.”

Em Portugal, o potencial das bioindústrias está diretamente relacionado com a ampla atividade industrial dos setores primários da indústria agroalimentar, silvicultura e pescas, a par da produção de produtos de cortiça e de couro. Além de contribuir significativamente para a economia nacional, a atividade destes setores gera quantidades abundantes de fluxos residuais, que constituem uma fonte de potencial matéria-prima para a bioindústria local. As quantidades em que estes fluxos são produzidos justificam a instalação de biorefinarias de larga escala para a sua valorização. Neste contexto, os desafios que Portugal terá que enfrentar incluem: as explorações agrícolas – na sua maioria de pequena dimensão, a sua dispersão geográfica e a ausência de políticas nacionais de apoio que promovam a adoção mais generalizada da bioeconomia, a par da insuficiência de ações de sensibilização acerca das potencialidades e benefícios da economia circular.

O trabalho que está em curso, tendo em vista a criação de uma estratégia nacional para a bioeconomia, será o estímulo necessário ao desenvolvimento da bioindústria. Portugal poderá vir a registar um aumento muito significativo das atividades das indústrias bio-baseadas a breve trecho, tendo em conta esta nova estratégia nacional para a bioeconomia, e dado que além de possuir setores primários muito fortes, o país já conta com a presença de instituições de investigação de alto nível, incluindo centros de excelência dedicados à biotecnologia e à produção de microalgas.

O BIC, que irá visitar Portugal já neste mês de abril, irá partilhar este documento com os vários intervenientes locais e criar um plano de ação conjunto, em especial com os intervenientes da indústria e as instituições governamentais, a fim de apoiar a expansão da bioindústria local.

Ao longo deste ano serão lançados planos de ação nestes três países para apoiar os atores locais na adoção generalizada da bioeconomia e na expansão das bioindústrias. O BIC irá visitar Portugal em abril, a Polónia em julho e a Roménia em setembro, para ajudar a divulgar as potencialidades da bioeconomia, das bioindústrias e da economia circular e para estabelecer a ligação entre os vários intervenientes locais, as iniciativas e as redes europeias ligadas às bioindústrias.

Sobre a Polónia e a Roménia
Na Polónia a bioeconomia está ligada aos setores da agricultura, da silvicultura e da alimentação, que são vitais para a economia do país. As atividades das indústrias bio-baseadas estão inseridas com particular destaque na sua Estratégia Nacional de Especialização Inteligente.

Por seu turno, a Roménia possui um dos maiores setores agrícolas da Europa, que oferece um amplo potencial de valorização dos fluxos residuais através da sua respetiva utilização como matéria-prima para as indústrias bio-baseadas. Este país poderá também aproveitar o facto de possuir um forte setor químico para criar uma bioindústria nacional, aumentando gradualmente a utilização das fontes de biomassa como matéria-prima sustentável.

Sobre os Estudos
O incentivo para realizar os estudos sobre as oportunidades emergentes da bioeconomia e do desenvolvimento das bioindústrias na Europa, decorre do facto de o nível das atividades do BIC não ser equilibrado em toda a Europa. As atividades das indústrias bio-baseadas dependem fortemente da inovação, razão pela qual têm relativamente pouca expressão em países “moderadamente inovadores”. Tal pode dever-se a um conhecimento insuficiente por parte dos atores sobre as bioindústrias e do BIC relativamente ao potencial da bioindústria nesses países. Adicionalmente, os atores nesses países podem não estar plenamente cientes das oportunidades que oferecem o BIC e a Iniciativa das Bioindústrias.

O BIC irá publicar estudos semelhantes sobre o potencial das bioindústrias nos três Países Bálticos. Em abril será lançado o Coordination and Support Action (CSA) no contexto do BBI JU’s Annual Work Plan 2018. Até ao início do segundo semestre de 2020 deverão estar mapeados mais cinco países.

Foto de Greensavers