BNP Paribas prevê preços da eletricidade elevados na Europa, com carbono a assumir papel central
O BNP Paribas antecipa que os preços da eletricidade na Europa, sobretudo na Alemanha e em França, deverão manter-se elevados no curto prazo, apesar de algum alívio sazonal esperado nos meses de verão. A instituição considera que o mercado continua pressionado por fatores estruturais, entre os quais se destaca o papel crescente do preço das licenças de carbono (EUAs) na formação do preço final da energia.
Segundo o relatório “EU power and carbon: Searching for seasonality”, divulgado esta semana, a falta de sazonalidade nas curvas atuais de preços e a menor oferta de carbono serão determinantes para a evolução dos mercados em 2026 e 2027.
Alemanha deverá corrigir em baixa a partir do verão de 2026
O banco considera que os preços futuros de eletricidade na Alemanha estão “sobrevalorizados” e prevê uma correção a partir do verão de 2026. A tendência será impulsionada sobretudo por dois fatores: a queda esperada dos preços do gás natural, devido ao aumento das importações de GNL, e o reforço da produção de energia renovável, em particular solar e eólica.
O relatório sublinha ainda que a curva atual ignora o impacto da sazonalidade: nos meses de primavera e verão, o aumento da capacidade solar e eólica deverá gerar pressão em baixa nos preços, algo que não está refletido no mercado.
França mantém vantagem graças ao nuclear
Em França, os preços da eletricidade deverão continuar inferiores aos alemães, graças a uma forte disponibilidade da produção nuclear. O BNP Paribas, contudo, não antecipa um aprofundamento adicional do diferencial entre os dois países, que em 2025 se alargou significativamente.
A manutenção da vantagem francesa dependerá também da ausência de falhas inesperadas e do impacto das inspeções programadas a algumas centrais nucleares.
Mercado de carbono em alta: EUAs podem ultrapassar 100 €/t
O banco mantém uma visão claramente otimista (“bullish”) para o mercado de carbono. Estima preços médios de 89 €/t em 2026 e 103 €/t em 2027, suportados por uma redução de 20% na oferta de licenças devido ao fim das vendas associadas ao programa RePowerEU e a cortes nas alocações gratuitas.
Do lado da procura, o BNP Paribas destaca o crescente interesse dos fundos de investimento e o impacto do mecanismo CBAM, que deverá reforçar a necessidade de cobertura através da compra de EUAs.
Renováveis rumo à recuperação
Após dois anos de forte volatilidade, a produção eólica na Alemanha deverá recuperar em 2026, com um crescimento estimado de 14%, caso se verifiquem condições meteorológicas normais. Esta recuperação deverá contribuir para moderar os preços durante o próximo inverno.
A energia solar também mantém um ritmo sólido de expansão: em 2025, a geração aumentou 21% na Alemanha e 30% em França, tendência que deverá continuar graças ao aumento de capacidade instalada.