Buraco na camada de ozono sobre a Antártida está a diminuir

Buraco na camada de ozono sobre a Antártida está a diminuir

O buraco na camada de ozono sobre a Antártida está a diminuir, segundo disseram pesquisadores esta quinta-feira, doa 30 de junho. Um estudo revelou que o tamanho foi reduzido em cerca de quatro milhões de quilómetros quadrados – uma área do tamanho da Índia – desde 2000.

Esta é uma boa notícia para o meio ambiente, quase 30 anos após o Protocolo de Montreal ser assinado para eliminar progressivamente a emissão de certos poluentes (CFCs), como retificaram os mesmos cientistas.

“É uma grande surpresa”, disse a autora principal, Susan Solomon, uma química atmosférica no Massachusetts Institute of Technology (MIT), numa entrevista à revista científica americana “Science”. “Eu não pensei que isso fosse acontecer tão cedo”, acrescentou.

O estudo atribuiu a recuperação da camada de ozono ao “declínio contínuo do cloro atmosférico proveniente de clorofluorcarbonetos (CFCs)”, ou componentes químicos que eram emitidos por limpeza a seco, geladeiras, spray de cabelos e outros aerossóis.

“Agora, podemos estar confiantes de que as coisas que fizemos colocaram o planeta no caminho para a recuperação”, disse Solomon.

A co-autora do mesmo estudo, Anja Schmidt, pesquisadora em impactos vulcânicos na Universidade de Leeds, concordou e descreveu o Protocolo de Montreal como “uma verdadeira história de sucesso que proporcionou uma solução para um problema ambiental global”.

O buraco na camada de ozono foi descoberto na década de 1950, e alcançou um tamanho recorde em outubro de 2015. Solomon e seus colegas afirmam que o episódio aconteceu devido à erupção do vulcão chileno Calbuco naquele mesmo ano.
O vulcão atrasou ligeiramente a recuperação do ozono, que é sensível ao cloro, à temperatura e à luz do sol. “Injeções vulcânicas de partículas causam uma destruição maior que o normal no ozono”, disse Schmidt.

“Essas erupções são uma fonte esporádica de minúsculas partículas no ar que fornecem as condições químicas necessárias para que o cloro dos CFCs introduzido na atmosfera reaja eficientemente com o ozono na atmosfera sobre a Antártida”, completou.

O ozono passa por um ciclo regular a cada ano, com a sua redução a começar em agosto, no final do inverno escuro da Antártida. O buraco normalmente atinge o seu tamanho máximo em outubro.

A tendência geral em direção à recuperação tornou-se evidente quando os cientistas estudaram as medições feitas por satélites, instrumentos terrestres e balões meteorológicos no mês de setembro, em vez de outubro.