Cabo Verde quer adotar modelo da Águas do Ribatejo

Cabo Verde quer adotar modelo da Águas do Ribatejo

Categoria Águas, Ambiente

Mais de uma centena de quadros, autarcas e gestores participaram na passada semana num seminário internacional sobre as parcerias das entidades nacionais com os municípios e entidades gestoras de Cabo Verde. O encontro decorreu no Centro Interpretativo do Cais da Vala, em Salvaterra de Magos, e teve como entidades acolhedoras a Águas do Ribatejo e o Município de Salvaterra de Magos. Uma delegação de decisores de Cabo Verde veio conhecer no terreno o modelo da AR para replicar no Arquipélago.

Hercules Vieira, presidente da Associação Nacional de Água e Saneamento de Cabo Verde, considerou que esta missão inversa é fundamental num momento em que o arquipélago está a procurar as melhores soluções para o abastecimento de água. “Este modelo da Águas do Ribatejo está testado com grande sucesso e é uma boa solução para implementarmos em Cabo Verde. Não temos dúvidas que a associação de vários municípios permite ganhar escala e valor”, referiu.

Francisco Nunes Correia, presidente da Parceria Portuguesa para a Água e ex-ministro do Ambiente, congratulou-se com um auditório repleto de players com provas dadas no setor da água. “Ter uma centena de participantes com esta qualidade em Salvaterra de Magos é digno de registo. É importante que possamos conhecer exemplos de sucesso como o da Águas do Ribatejo. As boas experiências que temos em Portugal onde fizemos o milagre da água devem ser uma referência para Cabo Verde”, disse.

A AR enquanto associada da PPA – Parceria Portuguesa para a Água, tem vindo a colaborar ativamente em várias iniciativas desta associação, nomeadamente no projeto P3LP – Pontes e Parcerias nos Países de Língua Portuguesa, refere em comunicado.

No âmbito deste projeto, a Águas do Ribatejo é uma das entidades de acolhimento da Missão que trouxe a Portugal uma delegação de Cabo Verde, composta por gestores e técnicos, de 13 a 17 de fevereiro. A comitiva visitou a Estação de Tratamento de Água de Salvaterra de Magos e a Estação de Tratamento de Águas Residuais dos Foros de Salvaterra, duas das mais de 150 infraestruturas construídas e requalificadas que integram um pacote de 115 milhões de euros de investimento na região que tem mais de 1000 km de redes de abastecimento de água e saneamento. A missão contemplou ainda reuniões de trabalho com a administração da AR e os técnicos dos vários departamentos da empresa municipal.

O presidente da AR, Francisco Oliveira, realçou a importância de dar a conhecer um modelo de gestão municipal, pioneiro em Portugal, e algumas das suas infraestruturas e equipamentos na área do abastecimento de água e saneamento. “É um encontro de autarcas, gestores, decisores-chave e técnicos para trocas de experiências no espírito do projeto P3LP que valoriza todos os participantes. A AR tem feito um esforço para estar na linha da frente junto do conhecimento e da inovação das Universidades e de todos os intervenientes na gestão da água”, refere o autarca de Coruche, que partilha a administração da AR com os presidentes das Câmaras de Benavente, Carlos Coutinho, e de Torres Novas, Pedro Ferreira.

Esta missão é também uma oportunidade para o Município de Salvaterra de Magos divulgar as suas potencialidades na área do Turismo, da Cultura e da Gastronomia a todos os visitantes, oriundos de todo o país e de Cabo Verde. Os participantes no seminário assistiram a uma demonstração de falcoaria no intervalo dos trabalhos.

Francisco Oliveira, presidente da AR congratula-se com a confiança depositada na empresa para acolher este evento. “É mais um reconhecimento do trabalho feito pela AR e do mérito deste projeto intermunicipal que foi pioneiro e está agora a ser replicado em várias regiões de Portugal. Estou certo que também será em Cabo Verde”, disse. “Esperamos contribuir para as boas decisões que os autarcas e gestores de Cabo Verde terão de tomar a curto prazo”, acrescenta.

Recorde-se que em Cabo Verde só uma parte da população tem acesso à água da rede tratada e segura. O tarifário aplicado em algumas zonas do arquipélago é sete vezes mais caro que o que está em vigor nos sete concelhos que integram a AR. Na área do saneamento, Cabo Verde está a dar os primeiros passos para a construção de sistemas de tratamento de águas residuais.