Campanha solidária garante recuperação do abutre-preto após incêndio no Douro Internacional
A campanha de angariação de fundos “Ajudar o abutre-preto após incêndio no Douro Internacional”, lançada em agosto de 2025, atingiu a meta de 30 mil euros e permitiu implementar no terreno um conjunto de medidas urgentes de recuperação e conservação da espécie, considerada ameaçada de extinção.
A iniciativa surgiu na sequência do grande incêndio que afetou o Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), onde se localiza a colónia mais isolada e frágil de abutre-preto em Portugal. O valor angariado resultou de donativos de particulares, empresas e entidades nacionais e internacionais, destacando-se a União Internacional para a Conservação da Natureza dos Países Baixos (IUCN NL), com o apoio da Conservation Connect através do Green Lifeline Action Fund, bem como a REN – Redes Energéticas Nacionais, a Lightsource bp e a Proactivetour.
A campanha foi promovida pela organização não governamental de ambiente Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, no âmbito do projeto LIFE Aegypius Return, através da plataforma de crowdfunding GoFundMe e de doações diretas à organização. Com a meta alcançada, a campanha encontra-se encerrada, prosseguindo agora os trabalhos de mitigação dos impactos do incêndio e de recuperação do habitat da espécie.
Entre as ações já realizadas, destaca-se a libertação de seis abutres-pretos que se encontravam em período de aclimatação no PNDI aquando do incêndio e que conseguiram completar com sucesso a adaptação ao meio natural, regressando à natureza no final de outubro de 2025. Foram ainda efetuadas a limpeza da área ardida, a remoção de infraestruturas destruídas pelo fogo e a recuperação de um contentor essencial ao funcionamento da estação de aclimatação, incluindo o sistema de videovigilância.
Os donativos permitiram igualmente a aquisição de novos painéis solares e baterias para garantir a autonomia do sistema de monitorização, o reforço da alimentação dos abutres na área afetada e a realização de uma monitorização intensiva da colónia, com o objetivo de avaliar os impactos do incêndio e orientar as medidas previstas no plano de emergência.
No terreno, foram ainda construídos três ninhos artificiais e reconstruídas quatro plataformas-ninho danificadas, numa colaboração com o Grupo de Intervención en Altura (GIAM) dos Agentes Florestais da Comunidade de Madrid. Foram também instalados cinco bebedouros e cinco comedouros para a fauna selvagem, bem como realizadas sementeiras destinadas a apoiar a pecuária extensiva e a recuperação das espécies-presa, fundamentais para a sustentabilidade alimentar do abutre-preto.
A Palombar está igualmente a articular-se com várias entidades locais para reduzir a perturbação humana na área da colónia e promover uma gestão de habitat integrada e participativa.