Esta quarta-feira, 11 de fevereiro, a CCDR Norte apresentou as conclusões do estudo “Avaliação do Desempenho da Região Norte em Matéria de Emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE)”, que analisa a evolução das emissões na Região Norte entre 2005 e 2023 e apresenta projeções até 2050, alinhadas com o Plano Nacional de Energia e Clima 2030 (PNEC) e o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 (RNC).
O estudo, como confirmado durante o webinar desta manhã, constitui um contributo estratégico para o planeamento regional e para a elaboração do Plano Regional de Ação Climática do Norte (PRAC NORTE).
Durante a apresentação, Francisco Ferreira, responsável científico pelo Estudo e professor associado na NOVA FCT, esclareceu alguns contornos do documento, desde os dados usados para refazer histórico e para prever a atuação futura da região, por comparação ao panorama nacional.
À escala regional, o Norte contribuiu com 18 milhões de toneladas de CO2 em 2005 (ano de referência), apresentando até 2023 uma redução global de 20%. Os transportes representaram 45% do total das emissões, enquanto que a média nacional neste setor se situou nos 38%.
Além disso, a redução das emissões foi menor no Norte do que a nível nacional, devido ao encerramento de centrais a carvão noutros pontos do país. Mesmo assim, considera-se uma redução representativa das emissões de GEE com o encerramento da refinaria em Matosinhos.
De forma geral, na região nortenha as emissões de transportes reduziram 24% entre 2005 e 2023, com uma tendência de aumento no pós-pandemia, enquanto o setor da energia e indústria (produção de eletricidade) apresentou uma redução de emissões de 36%.
No horizonte para 2030, a nível nacional, a redução das emissões nos transportes e na agricultura ficarão longe de atingir as metas setoriais. O mesmo verificar-se-á no Norte, essencialmente no setor dos transportes rodoviários. Em 2050, 50% das emissões provirão dos restantes setores de atividade.
O estudo, como indicou Francisco Ferreira, prevê uma trajetória descendente das emissões de GEE, com uma redução projetada de 45% em 2030, o que mesmo assim não permitirá alcançar a meta nacional de 55%. O responsável pelo documento considera que a implementação da Lei de Bases do Clima e a elaboração dos Planos Regionais de Ação Climática serão fundamentais para orientar respostas estruturantes no longo prazo para a mitigação das emissões de GEE.
Os setores da energia e indústria poderão ser os líderes da descarbonização, com reduções significativas associadas ao encerramento da refinaria de Matosinhos e as perspetivas futuras de maior eletrificação, eficiência energética e reforço das energias renováveis.
Os transportes representam o setor de maior preocupação, devido à tendência recente do aumento crescente no volume de tráfego.
Por fim, na região Norte tem um potencial significativo nas florestas e pastagens como sumidouro de GEE, que dependerá de políticas de promoção destes sumidouros e de redução de riscos climáticos, como os incêndios.
O estudo completo estará em breve disponível no site da CCDR Norte e espera-se que nos próximos tempos esteja pronto o Plano Regional de Ação Climática desta região.



































