“Chance to Change” explica as vantagens da neutralidade carbónica

“Chance to Change” explica as vantagens da neutralidade carbónica

Uma advogada e uma economista juntaram-se para escrever sobre o Acordo de Paris e a forma como este interfere na vida de todos nós (Estado, empresas e cidadãos). No recém-lançado “Chance to Change: O Acordo de Paris e o Modelo de Crescimento Verde”, as autoras procuram abordar, de uma maneira simples, o modo como este acordo tem repercussões na economia, nas nossas vidas, no setor público e no setor privado.

Sofia Santos

Chama-se “Chance to Change: O Acordo de Paris e o Modelo de Crescimento Verde” e foi agora lançado pela Plátano Editora. Nele Ivone Rocha, uma advogada, sócia na Telles, e especialista reconhecida em temas ambientais, e Sofia Santos, economista especializada em temas da gestão sustentável, procuram explicar, de uma forma descomplicada, o que é o Acordo de Paris e que consequências tem para a vida de todos pois, diz-nos Ivone Rocha “a descarbonização da economia ainda não entrou na nossa consciência ética coletiva”.

Reconhecendo que muitos são aqueles que ouviram já falar sobre este acordo, na verdade, muito poucos adaptaram a sua vida a um novo paradigma económico. Sofia Santos garante que o que ambas pretenderam com este livro foi “ajudar a massificar a mensagem sobre as oportunidades que a neutralidade carbónica traz para todos nós”.

“Chance to Change” dirige-se a todos: ao cidadão comum, estudantes de gestão, finanças e economia e, até, aos céticos, refere a economista. As duas autoras admitem que não se trata aqui de introduzir novidades mas sim uma abordagem mais simples das repercussões do Acordo de Paris, explicando, primeiro, o quanto é difícil chegar a um acordo global e mostrar que o setor financeiro europeu está a mudar, existindo um plano de ação da Comissão Europeia para promover a chamada “sustainable finance”. Ou seja, trata-se de um plano que tem como missão direcionar os investimentos do setor financeiro e os empréstimos dos bancos para atividades que sejam sustentáveis, dizem. “E esta será uma enorme mudança, que ajudará muito a pôr em prática tecnologias e modelos de negócio que contribuam para baixar as emissões de CO2”, sublinham as autoras.

Ivone e Sofia gostariam verdadeiramente que este livro fosse uma inspiração e servisse para que os seus leitores percebessem que “o acordo de Paris se trata de uma fantástica oportunidade de nos reinventarmos e de sermos mais humanistas para com as gerações vindouras”. Em termos mais práticos, gostariam que as pessoas lhes dissessem que “vão separar o lixo, reduzir as impressões, evitar o uso do plástico, repensar os seus processos produtivos, consumir de forma diferente”. E que houvesse “um consenso generalizado sobre a irreversibilidade do uso de energia renovável, valorização dos ecossistemas, do uso eficiente dos recursos, num quadro de uma economia circular”.

O que pensam as autoras do Acordo de Paris…
– “Tem que ser alcançado, tem que ser eficaz; se chegarmos a 2050 sem uma mudança radical no nosso paradigma económico o resultado poderá ser a Terra deixar de ser habitável”.
– “A grande mudança talvez seja a aplicação generalizada de metas de descarbonização da economia, sem uma divisão estanque entre dois grupos de países que considerava o Protocolo de Quioto, num quadro de distribuição equitativa do esforço”.
– “O que falta fazer é praticamente tudo, vai ser muito importante e publicação do próximo relatório do IPCC, bem como, a apresentação dos Planos para a Energia e Clima por cada Estado, com isso poderá ser feito um bom balanço inicial”.
– “A intervenção tem que ser global, mas o continente africano, o que menos beneficiou dos mecanismos de cooperação do Protocolo de Quioto – CDM – talvez seja o mais carente de intervenção”.
– “O setor público tem que, por um lado, dar o exemplo incorporando ele próprio práticas de consumo e produção descarbonizada e, por outro lado, dar sinais claros da irreversibilidade e consensualização das exigências e regras de descarbonização da energia, dos transportes, das infraestruturas, da economia circular, assegurando sempre a inclusão social”.
– “Novas necessidades de eficiência energética, mobilidade, produção(…) trazem novos produtos e novos mercados, para isso as empresas, com sinais claros e estáveis do estado, têm que ser veículos de mudança”.
– ” A descarbonização é um excelente objetivo para reinventarmos as tecnologias, melhorar a eficiência da indústria, produzir e consumir novos bens que têm menor impacte ambiental. A descarbonização deve ser vista como um catalisador da inovação, de investimento e de crescimento do PIB”.

Este artigo foi publicado na edição 79 da Ambiente Magazine.