Durante a primeira conferência oficial da Fundação BNP Paribas Portugal, organizada esta quarta-feira, 22 de abril, o investigador e cientista do BIOPOLIS, Nuno Ferrand, apresentou uma reflexão abrangente sobre o impacto humano no planeta, defendendo uma abordagem integrada entre ciência, política, economia e sociedade.
A intervenção, marcada por exemplos concretos e referências internacionais, destacou a urgência de repensar o modelo de desenvolvimento atual.
Logo no início, o investigador sublinhou a centralidade da ciência no seu trabalho: “o que me motiva todos os dias é a investigação científica, é questionar o mundo natural, questionar a vida e tentar explicá-la”. Aproveitando o simbolismo do Dia da Terra, enquadrou a sua intervenção como um momento de reflexão sobre o estado do planeta e o papel da humanidade.
Um dos pontos-chave da sua análise foi a relação entre biodiversidade e economia: “não temos economia nem temos sociedade se não tivermos essa base”, afirmou, referindo-se à biosfera como o alicerce de todos os sistemas humanos. Esta visão está alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, onde os objetivos ambientais sustentam os sociais e económicos.
O investigador alertou ainda para a dimensão da crise ecológica atual, classificando-a como “a sexta extinção em curso”. Segundo explicou, “uma parte muito significativa das espécies está hoje altamente ameaçada por causa da nossa presença”, num fenómeno comparável às grandes extinções do passado, mas desta vez provocado pela ação humana.
A intervenção destacou também o papel do projeto científico que lidera, o BIOPOLIS, uma iniciativa que reúne academia, governo, empresas e sociedade civil: “a ideia é juntar os quatro setores da sociedade para compreender o que é a vida e o impacto das nossas ações”, explicou, sublinhando que a biodiversidade “é a própria explicação da vida” e não apenas uma lista de espécies.
No entanto, o investigador alertou para os desafios enfrentados pela ciência: “o financiamento para a ciência a nível global tem vindo a diminuir e em Portugal a situação é muito pior”, afirmou, defendendo a necessidade de maior investimento para garantir a continuidade da investigação.
Mesmo assim, destacou como avanços científicos são relevantes: “se compreendermos melhor o que é a vida, as nossas decisões serão certamente melhores”, concluiu Nuno Ferrand.
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