Combustíveis de baixo carbono: uma peça-chave para a mobilidade sustentável
Por Plataforma para a Promoção dos Combustíveis de Baixo Carbono
Num contexto marcado por uma crise energética sem precedentes recentes, a Europa enfrenta o duplo desafio de garantir segurança de abastecimento e acelerar a descarbonização da economia. O setor dos transportes, responsável por cerca de um quarto das emissões de gases com efeito de estufa, assume um papel central nesta transição. Em Portugal, onde este setor representa também uma fatia significativa do consumo energético, a necessidade de soluções eficazes, realistas e imediatas nunca foi tão evidente.
É neste enquadramento que os combustíveis renováveis e de baixo carbono emergem como um vetor estratégico incontornável. Longe de constituírem uma alternativa marginal, estes combustíveis, que incluem biocombustíveis avançados, combustíveis sintéticos e biometano, são complementares à eletrificação e indispensáveis para garantir uma transição energética equilibrada, tecnologicamente neutra e socialmente justa.
O estudo promovido pela Plataforma para os Combustíveis de Baixo Carbono demonstra de forma clara que a eletrificação, embora essencial, não será suficiente para responder às necessidades energéticas futuras da mobilidade. A realidade das frotas, particularmente no transporte pesado, evidencia que os motores de combustão interna continuarão a desempenhar um papel relevante nas próximas décadas. Mesmo em 2030, a grande maioria dos veículos pesados ainda dependerá de combustíveis líquidos, o que reforça a urgência de descarbonizar estes mesmos combustíveis.
Adicionalmente, o estudo evidencia que Portugal dispõe de recursos endógenos significativos, nomeadamente biorresíduos, com potencial para sustentar uma produção robusta de combustíveis de baixo carbono. Em cenários ambiciosos, estes combustíveis poderão contribuir decisivamente para a redução de emissões, representando uma parte substancial das emissões evitadas no setor dos transportes . Esta realidade traduz-se numa oportunidade estratégica, reforçar a autonomia energética nacional, reduzir a dependência externa e simultaneamente dinamizar cadeias de valor industriais inovadoras.
Importa ainda sublinhar que os combustíveis de baixo carbono apresentam uma vantagem competitiva imediata. São compatíveis com a infraestrutura existente e com a frota atual. Esta característica permite acelerar a descarbonização sem exigir investimentos massivos e imediatos em novas infraestruturas ou a substituição integral do parque automóvel, evitando custos sociais elevados e garantindo uma transição inclusiva.
Num momento em que a Europa redefine a sua política energética e climática, é fundamental assegurar uma abordagem pragmática e baseada em evidência. A neutralidade tecnológica deve ser um princípio orientador, reconhecendo que diferentes soluções terão de coexistir para responder à diversidade de necessidades da mobilidade.
Os combustíveis renováveis e de baixo carbono não são apenas uma opção, são uma necessidade. Representam uma resposta concreta aos desafios atuais e futuros, permitindo conciliar descarbonização, segurança energética e competitividade económica. Ignorar o seu potencial seria comprometer a eficácia da transição energética.
A transição está em curso. Cabe agora garantir que é também realista, sustentável e acessível a todos.