Como é que se explica que a Europa esteja hoje na vanguarda de uma agenda ambiental muito significativa?

Como é que se explica que a Europa esteja hoje na vanguarda de uma agenda ambiental muito significativa?

Categoria Ambiente, Florestas

A União Europeia está perante um Green Deal (Acordo Verde Europeu) que veio pôr na primeira linha das prioridades europeias, todo um aspeto ambiental muito significativo: o “clima”, a “biodiversidade”, a “economia circular” e a “poluição zero”. Hoje não restam dúvidas de que o foco é totalmente diferente de há uns anos atrás, onde a prioridade passava, essencialmente, pelo crescimento, emprego e recuperação da crise económica. A questão que se coloca é: “Como é que se explica que a Europa esteja hoje na vanguarda deste tipo de agenda?”.

Este foi o ponto de partida para Humberto Rosa, diretor do Capital Natural da DG de Ambiente da Comissão Europeia, evidenciar que o “desenvolvimento humano tem trazido enormes pressões em múltiplas áreas”, traduzindo-se na degradação da “atmosfera”, do “território” e do “oceano”. Mas há uma coisa pela qual o ser humano tem de estar preparado: “A biosfera é o nosso capital natural e somos todos dependentes dela”, alerta.

Embora este estado de degradação “considerável” e “extenso”  do planeta ambiental ser bem conhecido pela ciência há muitos anos, o responsável refere que a “novidade” é que os “factos começam a coincidir cada vez mais com a perceção dos factos pela generalidade das pessoas”. E a natureza que, “generosamente”, tem servido de “tampão” contra os “excessos que sobre ela praticamos”, está, hoje, segundo o responsável, a “mandar faturas” que são “bem sentidas” pelo ser humano, como por exemplo, os eventos extremos: tempestades, incêndios ou perdas de polinizadores. A perceção que “há algo sério” levou a que as “pessoas” notassem que “há outras formas de organizar o desenvolvimento da economia humana”, fazendo com que a “abordagem” do Green Deal se transforme a ser uma “estratégia” não só ambiental e climática, mas também, “social e económica”, refere. 

Estratégia europeia para as florestas 2030

Relativamente ao capital natural, Humberto Rosa afirma que, o Pacto Ecológico Verde veio, ainda, dizer que a Europa deve liderar nas ações contra a perda de biodiversidade, tal como vinha liderando em termos de alterações climáticas: “É uma estratégia muito ambiciosa e responde ao que a ciência exige”. Nas várias componentes em que a estratégia assenta é perceptível que há uma maior ambição da proteção da natureza: “Queremos chegar até 30% do território e dos mares europeus protegidos”, destaca. Além disso, no que à restauração de natureza diz respeito a agenda é, igualmente, ambiciosa: “Há todo um potencial de trazer a agenda da biodiversidade para esse campo positivo onde podemos repor aquilo que perdemos, desde que haja vontade”.

Foto: The Navigator Company

Em matérias florestais, o Green Deal liga “florestas”, “alterações climáticas” e “biodiversidade”. Segundo o responsável, hoje, a sociedade “exige” e “espera” que seja atribuído “mais valor” às florestas no campo das “alterações climáticas” e no campo da “natureza e biodiversidade”.  E, tal como, há uma Estratégia de Biodiversidade, haverá, também, uma Estratégia Europeia para as Florestas 2030: “Será aprovada para o próximo ano e será desenvolvida a partir da estratégia da biodiversidade mas cobrindo  toda a multifuncionalidade e objetivos sociais, económicos e climáticos que as floresta têm”. E, segundo o responsável, algumas das medidas anunciadas na Estratégia de Biodiversidade serão desenvolvidas na Estratégia das Florestas, dando como exemplo, o “compromisso de haver três mil milhões de árvores adicionais na Europa até 2030”. É assim expectável que haja um “melhor serviço das florestas” para o objetivo de neutralidade carbónica até 2050: “É de esperar que o efeito sumidouro do ecossistema florestal seja mais importante e relevante no contexto europeu”, afirma. Além disso, o Humberto Rosa considera que é fundamental “aumentar a resiliência das floresta”, nomeadamente, nos “incêndios florestais”, onde é notória a carência, mesmo em Portugal, de uma “verdadeira e melhor gestão florestal”. E, tão importante, é também “trazer os contributos” que as florestas e os seus materiais oferecem para uma “economia circular” que é “aquela que todos desejam”, declara.

Paralelamente à estratégia das florestas, Humberto Rosa revela que estão a ser desenvolvidas “diretrizes” para uma “florestação”, “reflorestação” e “silvicultura” compatível com a “biodiversidade mais próxima da natureza”. E um dos objetivos passa, exatamente, por “ajudar as empresas pioneiras” na capacidade de “medir o capital natural”, terem “noção dos seus impactos e dependências” e ter uma “contabilidade de capital natural” para auxiliar ao “processo de decisão empresarial”, adianta o responsável.

A The Navigator Company realizou, esta quinta-feira, a décima edição do Fórum de Sustentabilidade que, este ano, se dedicou ao tema: “Capital Natural, Valor para os Negócios, a Natureza e a Sociedade”.

Cristiana Macedo