“Compensamos 100% das emissões de gases com efeito de estufa”

“Compensamos 100% das emissões de gases com efeito de estufa”

Entrada Cidade do Rock - aéreaEsta é a garantia dada por Dora Palma, coordenadora do Projeto Social Rock in Rio – Lisboa, em entrevista a Ambiente Magazine Online, isto quando já faltam poucos dias para mais uma edição deste grande festival. Com uma pegada carbónica de 4.000 toneladas de CO2 em Lisboa atualmente, o evento tem vindo a investir desde o início no sentido de diminui-la e, este ano, inova com o projeto Amazonia Live, o primeiro projeto social global do Rock in Rio.

O que significa para o Rock in Rio Lisboa ter a certificação da norma ISO 20121 – Eventos Sustentáveis?
Este reconhecimento veio dar-nos a segurança de que estamos no bom caminho, e uma das surpresas foi verificarmos, nas auditorias que já implementávamos, muitos dos requisitos e procedimentos recomendados pela norma. Em Portugal fomos o primeiro evento de música a conseguir este certificado.
O Rock in Rio guia-se por critérios de melhoria contínua e, de edição para edição, olhamos para as melhorias sinalizadas e seguimos as boas práticas mais exigentes, em todos os países onde o evento se realiza, nas mais diversas áreas, como segurança, gestão de resíduos, acessibilidade e mobilidade.

Qual o peso da responsabilidade social e ambiental nesta iniciativa? Foi desde sempre uma área fundamental?
O Rock in Rio sempre quis utilizar o poder da música para unir as pessoas. Em 2001 assumimos a premissa “Por Um Mundo Melhor” para usar o mediatismo da música e do evento e a capacidade de mobilizar massas para sensibilizar as pessoas na construção de um mundo melhor. Para tal, assumimos compromissos sociais e ambientais e, em cada edição, tentamos implementar novas medidas e novos projetos.
Já investimos, desde 2001, mais de 24 milhões de euros em causas diversas, onde se incluem 760 painéis fotovoltaicos instalados em escolas portuguesas e 118 mil árvores plantadas em zonas de floresta ardida no nosso país, entre outros. Em 2006, o Rock in Rio compensou, pela primeira vez, a sua pegada carbónica, o que permitiu, em 2008, implementar um manual de boas práticas com vista à redução da pegada carbónica que, por sua vez, em 2010, evolui para um plano de sustentabilidade, integrando questões sociais e económicas.

O que trouxe de novo esta edição a nível de medidas/ ações para diminuir a pegada de carbono do Rock in Rio Lisboa?
O maior passo será o projeto Amazonia Live, o primeiro projeto social global do Rock in Rio.
Na edição de 2014 fizemos uma auditoria energética que levou a que nesta edição (2016) reduzíssemos o número de geradores.
Desde 2006, assumimos o compromisso de compensar a sua pegada carbónica, a par da responsabilidade de identificar os seus impactos, e neste momento podemos dizer que compensamos 100% das emissões de gases com efeito de estufa. Temos também uma taxa de reciclagem na ordem dos 71% – o que é fantástico num evento com a dimensão do Rock in Rio.

Estas medidas novas vieram juntar-se a que outras que já têm lugar?
Nesta edição mantemos o plano de mobilidade do público e várias campanhas de sensibilização sobre boas práticas de sustentabilidade desenvolvidas para artistas, patrocinadores, fornecedores, público e comunidade. Para além disso, há várias edições que fazemos doação de materiais no final do evento para outras instituições e até outros festivais. Também fazemos a doação de sobras alimentares em boas condições e, desde 2012, já doámos mais de 15 mil refeições e 37 mil sandes a instituições que apoiam famílias desfavorecidas, em Lisboa e em Las Vegas.

Qual a atual pegada carbónica do Rock in Rio?
É variável de país para país pois o padrão de mobilidade do público é muito diferente e representa mais de 50% das emissões do evento. Em Lisboa anda na ordem das 4.000 toneladas de CO2.

Entrada Cidade do RockQual o objetivo do projeto Amazonia Live e o que significa na prática?
O objetivo do Amazonia Live é plantar três milhões de árvores no “pulmão do planeta”, até 2019. Em associação com a Quercus, em Portugal, e a Funbio e o ISA, no Brasil, o objetivo é sensibilizar as pessoas para boas práticas que conduzam ao desaceleramento das alterações climáticas e dos seus efeitos.
Estima-se que cerca de 90% das alterações climáticas na Europa foram causadas pelas alterações climáticas e são em grande parte causadas pela deflorestação a que assistimos pelo mundo inteiro.
A Amazónia é um símbolo para todas as pessoas, ela possui cerca de 30% da biodiversidade de todo o mundo, tem um papel importante para o equilíbrio climático global. Assim ao assumirmos o compromisso de desenvolver um projeto global com impacto em todo o mundo, parece-nos importante atuar nesta floresta e chamar a atenção de todos para a importância de mudarmos alguns comportamentos do dia-a-dia.
Neste projeto estão envolvidos artistas que vão atuar no Rock in Rio, figuras públicas, ONG’s, escolas, escuteiros da AEP e o projeto Escola Eletrão.

A associação à Rede Electrão foi importante? Em que medida?
É muito importante. Esta será a terceira edição em que nos associamos à Amb3E. A parceria começou em 2012, ano em que o projeto “Escola Electrão” se associou à Gincana Rock in Rio, uma iniciativa que envolveu um conjunto de tarefas a cargo de diferentes entidades com preocupações ambientais, sendo a Escola Electrão uma dessas tarefas.
Na edição dos 10 anos de Rock in Rio-Lisboa, em 2014, o Electrão esteve presente pela primeira vez no recinto com um stand em que desafiaram todos os visitantes do Rock in Rio-Lisboa a darem uma nova vida aos seus equipamentos usados. Este ano voltamos a associar-nos para promover o primeiro projeto social global do Rock in Rio que tem como objetivo plantar 3 milhões de árvores no “pulmão do planeta”. A Escola Electrão vai ajudar-nos através da venda de pulseiras Amazonia Live nas escolas e na sensibilização para um problema que é de todos.

A nível de resíduos, energia e água, que medidas tomam para controlar estes setores?
A gestão de resíduos é feita em parceria com a Sociedade Ponto Verde, a Câmara Municipal de Lisboa e a Valorsul, todos os agentes da cidade de Lisboa que trabalham este tema, e que contribuem para termos uma taxa de reciclagem na ordem dos 70%. Para tal, fazemos uma caracterização prévia dos resíduos que serão gerados na Cidade do Rock para preparar um plano de gestão de resíduos o mais adequado possível. No final de evento doamos materiais para instituições e outros festivais e também fazemos doação de alimentos, temos campanhas de sensibilização para os nossos parceiros, organização e público, e temos pessoas no terreno a sensibilizar, fiscalizar e informar diariamente os operadores de stands e lojas. Ao nível da energia, o parque de geradores é planeado detalhadamente. Tentamos ao máximo ligar à rede e sensibilizamos equipa e parceiros para um uso eficiente, para além da aquisição de equipamentos energeticamente eficientes.
A água é um tema muito sensível pois temos dias de muito calor em que o consumo aumenta, e também é necessário o acesso à água por questões de limpeza e higiene. Fazemos sempre o apelo para um uso eficiente, conscientes de que a água é essencial para o bem-estar do público e de todos os que estão na Cidade do Rock.