Conferência APREN: Renováveis geram ganho económico de 5,95 mil milhões de euros

Conferência APREN: Renováveis geram ganho económico de 5,95 mil milhões de euros

A importância das renováveis na descarbonização do sistema elétrico nacional até 2050, e o efeito positivo das renováveis na diminuição do preço da energia no mercado grossista de eletricidade, foram alguns dos temas abordados, durante a manhã, na Conferência da APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis subordinada ao tema “Eletricidade Renovável: Inovação e Tendências”.

A Conferência que decorreu esta quinta-feira na Fundação Champalimaud, subordinada ao tema “Eletricidade Renovável: Inovação e Tendências” apresentou as principais conclusões de dois estudos – Projeções 2050 para a descarbonização custo-eficaz e Efeito das Renováveis na Ordem de Mérito do Mercado Grossista de Eletricidade – que a APREN desenvolveu em conjunto com a Universidade Nova de Lisboa e com a WHS (Wind, Hydro & Sun Energy Services), respetivamente.

No relatório desenvolvido pela APREN e pelo Centro de Investigação Ambiental e de Sustentabilidade da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, concluiu-se que a escolha de trajetórias para o setor elétrico de elevada mitigação de CO2, conduzem a menores custos unitários no sistema elétrico nacional. O estudo permite demonstrar que o custo unitário de produção de eletricidade nos cenários de mitigação, será até 2050, cerca de 22% a 27% inferior ao cenário conservador em que as renováveis cresçam a um ritmo mais lento, e sem considerarem a descarbonização.

“Assim, e de acordo com as conclusões apresentadas, as renováveis na produção de eletricidade são o vetor de descarbonização mais eficaz da economia portuguesa no médio e longo-prazo. Mas, para que este cenário se verifique é fundamental que as renováveis assumam um papel dominante na geração de eletricidade (80% até 2030 e 90% até 2050), sobretudo através da produção hídrica, eólica onshore e solar PV”, frisa a APREN.

O estudo conclui ainda, que a contribuição das renováveis para o emprego é 2 a 3 vezes superior se quando considera um cenário de descarbonização, recorrendo essencialmente às renováveis.

De acordo com o estudo agora revelado, entre 2010 a 2016, o ganho económico proveniente deste efeito foi de 5,95 mil milhões de euros, valor que pode ser contrabalançado com o designado sobrecusto das renováveis que foi de 5,68 mil milhões de euros (dados ERSE).

Segundo os dados apurados, as renováveis têm contribuído para a redução do valor médio da energia transacionada no mercado grossista de eletricidade da ordem dos 15 a 20€/MWh. O valor de mercado quando a produção das renováveis é baixo ronda valores elevados na ordem dos 50 a 60 €/MWh, baixando para 30 a 40€/MWh logo que a produção com base em eletricidade renovável volta a subir.

O relatório permite concluir um benefício líquido para o sector elétrico devido à eletricidade renovável de 265 M€, o que se traduz numa poupança de cerca de 38 milhões de euros/ano. No mesmo período analisado, as renováveis permitiram ainda evitar a importação de combustíveis fósseis (5,26 mil milhões de euros) e  pouparam 475 milhões de euros com as licenças de emissão de CO2.

Para António Sá da Costa, Presidente da APREN, “os dois relatórios agora divulgados, comprovam a importância das renováveis, tanto ao nível ambiental, como económico, através da promoção do emprego e do desenvolvimento regional. Paralelamente, as conclusões refletem as consequências da utilização dos combustíveis fósseis e a necessidade de repensar o mercado da eletricidade renovável em Portugal”.

“É claro o contributo das renováveis para a redução do valor final da eletricidade. Quanto maior for a oferta renovável em mercado, mais baixos são os preços grossistas, uma vez que nas renováveis não existem custos variáveis como acontece noutras opções de produção de energia. Assim, considero que é importante continuar a potenciar as renováveis em Portugal e apostar na eficiência energética. O que está em causa, neste momento, é o nosso futuro e a sustentabilidade do nosso planeta”, conclui o responsável.