Esta quarta-feira, 25 de março, a CONSULAI anunciou o arranque da segunda fase do projeto B-Rural, uma iniciativa que pretende reduzir a distância entre o mundo urbano e o rural, aproximando produtores agrícolas e florestais dos consumidores e promovendo uma nova perceção sobre o setor. O anúncio surgiu no âmbito da apresentação de um estudo sobre a evolução do trabalho na agricultura, no ano em que a consultora celebra 25 anos.

“O B-Rural nasce da necessidade de aproximar quem produz de quem consome. Queremos criar mais conhecimento sobre o setor agrícola e florestal na sociedade, valorizar o trabalho dos produtores e promover um diálogo construtivo com os consumidores”, afirmou Rui Almeida, diretor operacional da CONSULAI. Segundo o responsável, esta é uma prioridade num país onde “cerca de dois terços da população vive em áreas urbanas”, o que acentua o afastamento face à realidade do setor.
A iniciativa surge como resposta a um diagnóstico claro: existe um desfasamento entre a perceção pública e a realidade atual da agricultura. Rui Almeida sublinhou que, apesar de o setor ser hoje “muito mais moderno e muito mais tecnológico”, essa evolução ainda não é reconhecida pela sociedade.
Nos últimos anos, explicou, a comunicação do setor foi insuficiente, perpetuando ideias ultrapassadas. “Havia necessidade de comunicar de forma positiva e esclarecedora, desmistificando muitos dos mitos que ainda persistem”, referiu. Agora, a iniciativa entra numa etapa mais próxima e participativa, centrada no diálogo direto entre produtores e consumidores.
A agricultura é tecnológica e atrativa
Um dos principais objetivos do projeto é dar visibilidade à transformação tecnológica do setor. “Hoje utilizamos sensores, drones, satélites, GPS, tratores autónomos e robôs. Existe uma panóplia de tecnologias que ainda não é perceptível pela sociedade”, destacou Rui Almeida.
A iniciativa pretende também valorizar a profissão agrícola e torná-la mais atrativa, especialmente para os jovens. O responsável sublinhou que a renovação geracional não deve limitar-se aos perfis tradicionais: “Queremos atrair não só agrónomos, mas também profissionais de comunicação, marketing, tecnologia, engenharia ou IT – estas pessoas são necessárias no nosso setor”.
Esta abordagem alargada reflete a crescente complexidade e interdisciplinaridade da agricultura moderna, cada vez mais dependente de competências digitais e tecnológicas.
Ações no terreno e B-Rural Summit
Para concretizar estes objetivos, o B-Rural tem desenvolvido várias iniciativas no terreno. Uma das mais marcantes foi a organização de visitas de jornalistas a explorações agrícolas, permitindo contacto direto com produtores e práticas reais, sem mediação. “Foi uma experiência reveladora, que mostrou claramente como a agricultura evoluiu”, referiu Rui Almeida.
O projeto tem também apostado na proximidade com os jovens, marcando presença em eventos como a Futurália, onde apresentou demonstrações tecnológicas e soluções inovadoras. “Tivemos um stand sempre cheio. O feedback foi espetacular”, destacou. Além disso, foram lançadas campanhas de comunicação em outdoors em Lisboa e está prevista a participação em eventos como a Feira do Livro, reforçando o contacto direto com o público urbano.
A segunda fase do B-Rural, cofinanciada pela Comissão Europeia e com investimento anual superior a 300 mil euros, inclui uma forte aposta em formatos digitais. Entre as novidades estão os videocasts “Conversas de Supermercado” e “Histórias do Terreno”, que irão explicar o percurso dos produtos desde a produção até ao consumo, aproximando os cidadãos da realidade agrícola. “Queremos que as pessoas percebam o que está por trás de algo tão simples como um sumo de laranja ou uma salada de frutas, desde a rega inteligente aos drones e à tecnologia utilizada”, explicou Rui Almeida.
O ponto alto desta nova fase será o B-Rural Summit, previsto para junho, em Lisboa. O evento reunirá decisores políticos, produtores, academia, jovens e sociedade civil para debater os desafios económicos, sociais e ambientais do setor agroflorestal.
Para Rui Almeida, iniciativas como o B-Rural são essenciais para garantir o futuro do setor: “é fundamental reforçar a compreensão do seu impacto económico, territorial e ambiental, e criar uma relação mais próxima entre quem produz e quem consome”.









































