#Economia Circular: Ciclaveiro quer promover o uso da bicicleta em detrimento do transporte individual

#Economia Circular: Ciclaveiro quer promover o uso da bicicleta em detrimento do transporte individual

A Economia Circular está, hoje, subjacente em muitas empresas. Produtos sustentáveis, amigos do ambiente e com um ciclo de vida longo são, cada vez mais, uma opção. Há também quem ponha em prática estes conceitos e desenvolva os seus próprios produtos. Com o objetivo de dar “voz” a projetos de cariz sustentável, a Ambiente Magazine irá, todas as semanas, apresentar algumas iniciativas aos nossos leitores e dar a conhecer o que se faz em Portugal nesta área. Esta semana partilhamos o projeto Ciclaveiro”. 

O projeto surgiu de um grupo de cidadãos que “partilhavam de algum desconforto relativamente à escassez de utilizadores de bicicleta” numa cidade como Aveiro com “tanto potencial” e ao mesmo tempo com “tão poucas condições”, começa por dizer Joana Ivónia, presidente da Ciclaveiro. Foi, precisamente, este desconforto que juntou este grupo informal, e que permitiu “iniciar e começar a trabalhar na procura de melhores condições” e “mais utilizadores pudessem utilizar a bicicleta no dia-a-dia como meio de transporte”. De acordo com a responsável, este grupo descobriu uma “cidade com poucas infraestruturas”, com “falta de segurança” e “pouco sensibilizada” para a utilização da bicicleta como meio de transporte no dia a dia. Mas, por outro lado, “sentiam que a bicicleta tinha um forte potencial”  e “muitos benefícios”, sobretudo, numa “cidade com a escala de Aveiro”, refere.

Foi então que começaram por fazer um “levantamento” do “estado da cidade” e definiram “alguns públicos para trabalhar” como as “famílias com crianças, o comércio local e a comunidade de forma mais genérica”. Neste sentido, avança a responsável, “iniciamos uma abordagem colaborativa” e com “projetos a pensar nestes públicos que queríamos sensibilizar”, tendo iniciado, também, uma “aproximação à autarquia” através de “pareceres ou sugestões”. 

A Ciclaveiro foi crescendo e acabou por se formalizar Ciclaveiro (Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta), uma entidade sem fins lucrativos. “É uma associação com forte dinâmica na cidade e com reconhecimento a nível regional e nacional”, afirma Joana Ivónia, destacando que a associação tem promovido inúmeras iniciativas como as cicloficinas, concursos de montras, pedaladas, Mini Pedaladar e Pedaladar, Mini rodas, bike experiences. Foi, também a Ciclaveiro a responsável por criar o Primeiro Encontro Nacional de Grupos Promotores da bicicleta e, neste momento, acabou de dar mais um passo grande com a “abertura da sua Casa da Bicicleta – Ciclaveiro”, afirma. Sobre este último projeto, recém aberto na cidade de Aveiro, Joana Ivónia refere que se trata de um trabalho “idealizado, criado e gerido” pela Ciclaveiro: “Pretende ser um ponto agregador de projetos, iniciativas e sobretudo para pessoas que promovem a utilização da bicicleta ou queiram começar a utilizar a bicicleta no seu dia a dia”. O espaço, de acordo com a responsável, alberga um Velocowork, uma Cicloficina Comunitária, uma galeria, um espaço mãe In PT espaço de promoção  de produtos e marcas portuguesas relacionadas com a bicicleta, uma Veloteca que é uma biblioteca de bicicletas e acessórios vários disponíveis para ceder a todos os associados para que possam usar ou experimentar por um tempo determinado.

Portugal é um país a vários a tempos

Ambientalmente, a Ciclaveiro tem como principal objetivo “melhorar as cidades” e a “qualidade de vida dos cidadãos”, através de uma “redução da dependência automóvel” e um “aumento de utilização da bicicleta”. Assim, descarbonizar é para esta associação um dos grandes focos, mas, além disso, a “preocupação com a ocupação do espaço público” e com a “resiliência das cidades e das comunidades” é, também, uma das prioridades. Para toda esta equipa é importante “envolver a comunidade em cada um dos projetos” que dinamizam e isso “transparece no resultado de cada um dos projetos”. Ao mesmo tempo, consideram que a bicicleta é um “veículo ambientalmente sustentável” mas, também, “promotor de maior proximidade dos cidadãos e de maior contacto com a cidade”. Além disso, “reduz a sedentariedade” e, por consequência, um “conjunto vasto de problemas de saúde derivados”, sustenta. 

Relativamente à consciência que existe (ou não) sobre estas matérias, Joana Ivónia diz que Portugal é um país a vários a tempos: “Se há municípios que já perceberam a importância e urgência de algumas temáticas outros há que ainda estão muito longe”. É verdade, contudo, que que há uma “maior consciência generalizada” sobre a “necessidade de reduzir o consumo, reutilizar, comprar de forma consciente” e, no fundo, reduzir a pegada ambiental. Mas, ainda assim, a responsável afirma que o “ser humano é preguiçoso” e a “mudança é muito lenta”, provavelmente “lenta demais para o tempo que temos”. Por isso, e no que à mobilidade diz respeito “consideramos que uma comunidade muito sensibilizada não é suficiente para a mudança desejada”, havendo sempre a necessidade de ser “acompanhada por políticas públicas” que permitam “acompanhar e alavancar essa mudança”. No caso das cidades e da integração da bicicleta, os “municípios têm um papel fundamental para pensarem as cidades em função das pessoas, e não dos carros”, sublinha. Nestas matérias, Joana Ivónia é perentória: “É urgente planear bem, criar boas infraestruturas convidativas para o peão e para a bicicleta e dificultar a vida a quem vem de carro para que se torne dissuasor”.

Falta um projeto de incentivos à utilização da bicicleta por parte das empresas

Relativamente às empresas, a presidente da Ciclaveiro reconhece que há uma maior preocupação, mas, ainda assim, a “grande maioria” continua a ver o carro como uma “necessidade” e não como um “custo”. Para a responsável, falta conhecimento ou reconhecimento às empresas: “Que colaboradores com mais saúde são melhores colaboradores. Que a atividade física é importante, que o espaço utilizado e ocupado um dia inteiro por um carro parado enquanto o seu dono está a trabalhar. Que o espaço físico que são obrigados a ter para estacionamento automóvel dos funcionários tem um custo grande”. A responsável defende que, em Portugal, falta um “projeto de incentivos à utilização da bicicleta”, por parte das empresas, algo que já é visível noutros países com “benefícios fiscais, monetários ou outro tipo como dias de férias extra, entre outros”.

E a pandemia da Covid-19 pode ser um entrave maior à mobilidade? Joana Ivónia afirma que um dos grandes desafios, ao nível da mobilidade, é precisamente o “medo da contaminação” e, muitas pessoas, consideram que “o carro é um espaço seguro e protegido”. E a verdade é que “muitas pessoas foram afastadas dos meios de transporte coletivo” e “outras começaram a andar mais de carro”, refere. No entanto, a presidente da Ciclaveiro considera que a Covid-19 pode ser também uma “grande oportunidade” para a bicicleta, uma vez que “promove o distanciamento necessário”, contribui para a “descarbonização” e para a “melhoria da qualidade do ar”. Neste sentido, a Ciclaveiro em plena pandemia enviou um conjunto de sugestões e medidas ao município, no sentido de serem, facilmente, aplicadas e, assim, “encorajar e aproveitar” o momento para “incentivar à utilização a bicicleta”.

QUAL É O CENÁRIO PARA OS PRÓXIMOS 10 ANOS?  

Notamos um trabalho que está a ser feito mas muito longe ainda  do que tem que ser feito para atingir as metas a que nos comprometemos. No que à bicicleta diz respeito, estamos a anos luz da taxa de utilização a bicicleta de países referência. è necessário começar a mudar dentro da escola, dentro das cidades com uma perspectiva muito clara dos objetivos. Não podemos continuara  a governar a 4 anos, temos que definitivamente ter planos a 30 e a planear as nossas cidades a 30 anos, e isso passa por não responder às necessidade deu hoje como ” onde vamos estacionar todos estes carros” mas sim por dar sinais claro aos cidadãos de para onde estamos a ir.

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Cristiana Macedo