Economia circular é oportunidade para criar 800 mil novos empregos na Europa

Economia circular é oportunidade para criar 800 mil novos empregos na Europa

Podem vir a ser criados mais de 800 mil novos empregos no espaço da União Europeia, muitos dos quais em Portugal, refere a associação ambientalista Zero, num comunicado, acrescentando que isso se “os nossos representantes políticos apoiarem uma visão ambiciosa da Economia Circular”.

Amanhã, dia 24 de janeiro, será votado na Comissão de Ambiente do Parlamento Europeu, um relatório com uma visão ambiciosa em termos de metas de reciclagem e com um apoio claro aos setores da reutilização e reparação. As propostas deste relatório abrem as portas à criação de 867 mil empregos na indústria da reparação, reutilização e reciclagem na UE até 2030, um número que equivale a um sexto dos desempregados jovens na Europa.

A Zero considera que o pacote da Economia Circular representa uma oportunidade para a UE, mas também para Portugal, em termos de emprego e de promoção do uso sustentável dos recursos.

“O facto de termos ainda muito por fazer no que concerne à reciclagem de resíduos sólidos urbanos (que está em 28%, quando a meta para 2020 é de 50%), ou à recolha seletiva da fração orgânica, a qual ascende a cerca de 40% do total dos resíduos, para dar apenas dois exemplos, significa que existe ainda um enorme potencial para criar mais emprego e para reintegrar matérias-primas fundamentais na economia portuguesa”, explicam os ambientalistas.

Acresce que sendo Portugal um país onde 70% dos solos apresentam baixos teores de matéria orgânica, “é incompreensível que continuemos a desperdiçar em aterro a maior parte da resíduos orgânicos, quando os mesmos poderiam ser transformados em composto a utilizar como fertilizante na agricultura e na floresta, permitindo não só que os nutrientes retornassem ao solo, mas também que se melhorasse a nossa deficitária balança comercial no que respeita a matérias fertilizantes (em 2014 registou-se um défice de 28 milhões de euros entre importações e exportações)”, acrescenta a mesma nota.

Susana Fonseca, da direção da Zero, refere que “é fundamental que o Pacote sobre Economia Circular, que está em debate na UE neste momento, impulsione a economia Europeia no caminho da sustentabilidade e do uso regrado dos recursos naturais, muitos deles escassos. Para tal, é fundamental que os nossos representantes políticos no Parlamento Europeu votem a favor de objetivos e metas que concretizem uma verdadeira economia circular, onde a redução, a reutilização e a reciclagem assumam o protagonismo.”

A proposta em cima da mesa

A Comissão de Ambiente do PE tem a oportunidade de apoiar um conjunto de objetivos e metas ambiciosos que terão inúmeros benefícios ambientais, sociais e económicos. Mais concretamente:

– Que 70% de todos os resíduos produzidos na UE sejam reutilizados ou reciclados em 2030, ao mesmo tempo que se estabelecem metas claras em termos de reparação e reutilização de materiais, objetos e equipamentos.
– Que até 2025 se reduza para metade o lixo que é deitado para os oceanos. Uma forma de o conseguir é através da proibição de embalagens e outros produtos de plásticos que não são necessários nem reutilizáveis, como por exemplo os pratos, copos e facas descartáveis.
– Apoiar os países que estão com maiores dificuldades para atingir as metas de reciclagem através do apoio à prevenção de resíduos, à criação de sistemas mais eficazes de recolha seletiva, à utilização de incentivos fiscais (como a redução do IVA nas operações de reparação) e ao estímulo às atividades de reciclagem e reintegração dos materiais na economia.