#EconomiaCircular: “Valerius 360” quer educar consumidor final para um “estilo de compra mais qualitativo e consciente”

#EconomiaCircular: “Valerius 360” quer educar consumidor final para um “estilo de compra mais qualitativo e consciente”

A Economia Circular está, hoje, subjacente em muitas empresas. Produtos sustentáveis, amigos do ambiente e com um ciclo de vida longo são, cada vez mais, uma opção. Há também quem ponha em prática estes conceitos e desenvolva os seus próprios produtos. Com o objetivo de dar “voz” a projetos de cariz sustentável, a Ambiente Magazine irá, todas as semanas, apresentar algumas iniciativas aos nossos leitores e dar a conhecer o que se faz em Portugal nesta área. Esta semana, partilhamos o projeto “Valerius 360”. 

O “Valerius 360” traduz-se num “programa de reciclagem altamente inovador”, que pretende, essencialmente, “fechar o ciclo de produção e consumo de vestuário”. Quem o diz é Patrícia Ferreira, CEO da Valerius Hub, acrescentando que o objetivo do programa passa por “atender às necessidades sustentáveis” do cliente, “educando o consumidor final” para um “estilo de compra mais qualitativo e consciente”. 

Ambientalmente, para além de contribuir para a “transformação sustentável” que a “área têxtil já está a atravessar”, o projeto devolve à indústria, “o produto, agora modificado”, que a mesma forneceu: “Nós recolhemos resíduos têxteis provenientes de pré e pós-consumo, transformamo-los, mecanicamente, com fibras virgens, porém naturais, originando um novo fio que, posteriormente, dará lugar a uma nova malha e, sucessivamente, uma nova peça de roupa”. Desta forma, refere a responsável, é estabelecido um “compromisso de entrega e retorno”, diminuindo, assim, “o número de novos desenvolvimentos de matérias-primas”.

No mercado há quatro anos, o “Valerius 360” foi estudado com a ideia de ter o “melhor output possível”, diz a Patrícia Ferreira, acrescentando que, para tal, “todos os stakeholders envolvidos” teriam que ter esse objetivo final: “Foi exatamente isso que aconteceu”. E as “parcerias” que têm estabelecido contribuem para que as perspetivas sejam bastante ambiciosas: “Uma das nossas metas é criação de ´take-back programmes` com os nossos clientes, de forma a que estes incentivem os seus consumidores a devolverem as suas peças usadas para que nós as possamos, mais tarde, reciclar”. 

Portugal sempre se apresentou líder na produção sustentável

Relativamente ao potencial de Portugal no que diz respeito à produção de moda sustentável, a responsável não tem dúvidas de que o país é  “evoluído” industrial e tecnologicamente: “Creio que todos aqueles que atuam no setor estão familiarizados com esta crescente necessidade de produtos mais amigos do ambiente, quer na indústria têxtil, quer em todas as outras”. E tal necessidade, “mais tarde ou mais cedo”, vai exigir que “toda a economia se reajuste” nesse sentido: “Aí, esperamos que os nossos líderes políticos saibam promover iniciativas desse género, premiar quem as executa e, inclusive, implementar novas leis de maior enfoque ambiental”, atenta. É precisamente em matérias de financiamento que a responsável destaca a necessidade de “criação de novas plataformas de vendas” de “segunda mão”, de “sourcing sustentável”, de “academias que possam passar conhecimento” e que, “todas as novas empresas tenham que ser apoiadas pelos governos”. Patrícia Ferreira lembra que, os líderes políticos e a União Europeia, já informaram que as empresas terão que “tomar medidas até 2024”, medidas essas que terão em vista o foco na reciclagem: “Estou certa que todas estas mudanças terão custos estruturais para as empresas e que serão estas ajudas de financiamento que permitirão que esta mudança seja possível”. 

Em matérias de economia circular, Patrícia Ferreira considera, também, que Portugal sempre se apresentou como “líder” relativamente à “produção sustentável” e à “inovação no setor produtivo”, acreditando que isso “terá ajudado a mitigar as reduções das encomendas que apresentamos” devido à Covid -19, “alienando com o speed-to-market” e o facto de “estarmos perto dos consumidores”.

Olhando para a “moda sustentável” que cenário prevê daqui a 10 anos? 

Prevejo, e espero, que os dois conceitos não se separem. A moda sustentável será a nova moda. Daqui a 10 anos, é certo que a procura e oferta por artigos “fast-fashion” terá diminuído drasticamente. E ambos, a Valérius 360 e toda a comunidade Valérius HUB trabalharão arduamente para que assim seja.

Cristiana Macedo