“Em 2021, estaremos preparados para consumir eletricidade 100% de origem renovável nas nossas operações”

“Em 2021, estaremos preparados para consumir eletricidade 100% de origem renovável nas nossas operações”

A transição energética e o rumo à neutralidade carbónio é um compromisso que a Galp já assumiu publicamente. A empresa está empenhada em contribuir ativamente para a mudança de paradigma no setor energético e, assim, contribuir para que Portugal consiga cumprir as metas do Acordo de Paris. Numa entrevista com Cláudia Santiago, responsável de sustentabilidade da Galp, ficamos a saber quais as prioridades da empresa no rumo à neutralidade carbónica e quais os planos futuros previstos.

 Qual é a melhor definição para uma empresa como a Galp?

A Galp é uma empresa integrada de energia focada em desenvolver projetos, serviços e soluções inovadoras e diferenciadoras que promovam a transição para uma economia de baixo carbono. Acelerámos nos últimos anos o movimento para a redução da intensidade carbónica das nossas atividades e somos hoje líderes em várias áreas de negócio, incluindo algumas que materializam o nosso compromisso com a transição energética.

O investimento que nos transformou no maior produtor de energia solar da península ibérica; a disponibilização aos nossos clientes de planos de eletricidade 100% verde; a aposta na startup Flow para se constituir como um sistema operativo global para a mobilidade elétrica; a criação de uma empresa – a EI, Energia Independente – para a venda de painéis solares que fomentem o autoconsumo de energia solar; e o estudo de soluções para posicionar a Galp nas cadeias de valor do hidrogénio verde ou para a cadeia de valor das baterias elétricas, são exemplos concretos que materializam a resposta da Galp aos desafios do presente e que posicionam a empresa como líder da transição energética rumo a um mundo mais sustentável.

Ambientalmente quais os vossos valores?

Existem três fatores indispensáveis à operação Galp: a segurança das pessoas, a proteção do ambiente e dos ativos. Comprometemo-nos com a ecoeficiência, a utilização eficaz de recursos, a minimização dos impactos negativos e a maximização dos benefícios ambientais, técnicos e económicos.

Fruto deste nosso compromisso, não só em matéria ambiental, a Galp viu novamente reconhecida a excelência operacional da sua gestão integrada através da obtenção da certificação do seu Sistema de Gestão Integrado (SIG) de Ambiente, Qualidade, Segurança, Energia e Responsabilidade Social que, desde 2020, integrou também a dimensão de Continuidade do Negócio segundo a norma ISO 22301.

Que caminho ambiental tem traçado a Galp no rumo à descarbonização?

Estabelecemos há muito o objetivo de ter um papel ativo na mudança de paradigma energético. Os resultados dos nossos esforços são constantemente aferidos pelas entidades mais credíveis nesta área. Deixo dois exemplos claros: A Galp é a empresa mais sustentável da Europa no seu setor e a terceira melhor a nível mundial, de acordo com os critérios do Dow Jones Sustainability Indices (DJSI) de 2020, repetindo neste ano a melhor pontuação dos quase dez anos de presença constante nestes índices. De acordo com os resultados de 2020 a Galp lidera 7 categorias das quais se destacam, entre outras, o “Reporte Ambiental”, “Ecoeficiência Operacional”, “Estratégia Climática” e “Riscos Relacionados com Água”. O CDP classificou em 2020 a Galp entre as empresas de O&G que adotaram de forma mais eficaz as melhores práticas em matéria de clima. A Galp atingiu nível de “Leadership” e classificação “A-“, superior tanto à média europeia de “C”, como à média “B” do sector de O&G mundial.

Estamos empenhados em ser parte da solução e em contribuir ativamente para as ambições de Portugal e da Europa para se alcançar a neutralidade carbónica em 2050, seja através de investimentos em ecoeficiência, de medidas para reduzir a intensidade carbónica das nossas atividades, de um forte investimento em soluções tecnológicas ou da aposta em novos negócios e em energias de baixo carbono.

A conclusão, em 2020, do acordo para a aquisição de um portefólio de energia solar em Espanha é um grande exemplo: a Galp passou a ser o principal operador solar na península ibérica detendo cerca de 1 GW em produção e um conjunto de projetos de elevada qualidade em desenvolvimento perfazendo cerca de 3,7 GW no total. Será um dos pilares do nosso caminho na transição energética.

Ainda muito recentemente, já em fevereiro de 2021, demos mais um passo muito concreto nesse caminho que estamos a traçar: a Galp tornou-se na primeira empresa portuguesa certificada pelo International Sustainability & Carbon Certification (ISCC) a produzir GPL a partir de matérias biológicas, iniciando assim o processo de descarbonização de uma fonte energética que é já uma das mais eficientes disponíveis no nosso país.

Que metas / objetivos estão estabelecidos pela empresa no curto, médio e longo-prazo?

A Galp já assumiu publicamente os seus compromissos de descarbonização e está a corporizá-los através da integração da transição energética em todos os seus segmentos de negócio. Este é um movimento que permite à Galp a alinhar o seu portfólio com a visão de neutralidade carbónica na Europa até 2050 e que levou já a empresa a assumir o objetivo de reduzir a intensidade carbónica das suas atividades em pelo menos 15% até 2030. Também nos comprometemos a utilizar eletricidade 100% renovável nas nossas operações em Portugal e Espanha em 2021.

Que metas (ambientais) estão traçadas para este ano 2021?

A Galp tem definido como objetivo continuar a ser uma referência ao nível do Ambiente, aumentando a ecoeficiência operacional em 15% até 2022, face à meta do ano base de 2019.

Em 2021, por exemplo, estaremos preparados para consumir eletricidade 100% de origem renovável nas nossas operações, eliminando nessa medida as nossas emissões de gases com efeito de estufa decorrentes da compra de eletricidade.

Em matérias de sustentabilidade / economia circular / educação ambiental que tipo de ações ou projetos são levadas a cabo pela empresa?

A sustentabilidade é um dos pilares da cultura da empresa, inerente à avaliação de desempenho dos diferentes negócios, visando servir os nossos clientes de modo social e ambientalmente comprometido.

Complementarmente, a participação em iniciativas de carater social e de educação ambiental é também transversal à organização. A promoção de programas de voluntariado, nas diferentes áreas geográficas onde estamos presentes, é uma prática bastante consolidada na Galp. São vários os casos de sucesso que podemos partilhar, entre os quais o Movimento Terra da Esperança no qual, com o apoio de mais de 6 mil voluntários Galp que deram no total 11 mil horas do seu tempo, conseguimos plantar cerca de 285 mil árvores. Este esforço equivale a 7 pessoas em permanência o ano inteiro.

Na área do consumo sustentável e energia, temos o projeto Future Up, desenvolvido em parceria com a Apps for Good e a Junior Achievement Portugal, que se insere no Movimento Educativo da Galp e da Fundação Galp e através do qual incentivamos os nossos colaboradores a partilhar o seu conhecimento através de formações a professores e alunos: contabilizamos mais de 5.000 aulas de energia, lecionadas por 500 voluntários Galp. Em 2020, os nossos voluntários deram formação a mais de 346 professores. Muitas destas formações decorreram online tendo em conta a vigência do Estado de Emergência.

Considera que há uma maior preocupação por parte das indústrias em matérias ambientais?

Toda a indústria energética, a nível global, terá de abraçar uma profunda transformação para alcançar os objetivos traçados pelo Acordo de Paris e, sobretudo, as metas imediatas definidas para 2030. Essa preocupação existe e tem um impacto já muito concreto nas estratégias que estão a ser implementadas e nos compromissos assumidos pelas empresas.

Reflexo disso foi a adesão da Galp e outras sete das principais empresas mundiais de energia – a BP, a Eni, a Equinor, a Occidental, a Repsol, a Royal Dutch Shell e a Total – com o objetivo de aplicar seis Princípios de Transição Energética à medida que desempenham os seus papéis neste desafio.

Esta abordagem colaborativa conjunta foi recebida de forma positiva pelos investidores que lideram a interação com empresas do sector através da Climate Action 100+ e confirma que a sustentabilidade será cada vez mais uma premissa central nas estratégias empresariais.

Este artigo foi publicado na edição 87 da Ambiente Magazine.