Eventos climáticos extremos têm vindo a colocar sob pressão infraestruturas críticas e cadeias logísticas, revelando vulnerabilidades significativas e a necessidade urgente de adaptação. A conclusão foi partilhada por vários especialistas durante o Equator Insights Forum 2026, organizado pela The Equator Company, em Lisboa.
António Coutinho, presidente da APE (Associação Portuguesa de Energia), revelou que “falta-nos cultura de preparação” para estes fenómenos e que a “a sociedade não está disposta a pagar por resiliência”, sendo fundamental incluir esta nos “stress tests”.
Além disso, “não podemos desperdiçar uma boa crise para aprender”, pois os fenómenos extremos têm revelado a forte interdependência entre setores, desde a energia e a água à segurança e aos transportes. E ainda de outro setor importante, o das comunicações-
Para o presidente da APE, as soluções para prevenção e preparação em situações de crise passam essencialmente pelo ordenamento do território.
Com isto concordou António Pires de Lima do Grupo Brisa, que explicou como a empresa, que tem a concessão das principais autoestradas em Portugal, se prepara para fenómenos como a tempestade Kristin, que assolou o Centro de Portugal no início do ano.
Para este responsável, preparação e cooperação são as palavras-chave, e “o tema da comunicação faz toda a diferença”.
Nesta conversa também participou Isabel Barros da MC Sonae, que contou como as cadeias de abastecimento de produtos são igualmente afetadas pelos fenómenos climáticos extremos, essencialmente na “quantidade, qualidade e preço”. Como exemplo, deu a necessidade de procurar certos produtos noutras origens, o que também afeta os custos logísticos.
Segundo a própria, é fundamental ter planeamento, principalmente junto dos colaboradores, pois “aa crise também existe na gestão de pessoas”.
Por sua vez, Francisco Pita da ANA Aeroportos de Portugal, partilhou como as infraestruturas aeroportuárias se preparam e lidaram com situações de crise, como as tempestades e o apagão ibérico em abril do ano passado. Para si, “a resposta à emergência deve ser pensada para o momento crítico e decisivo”.
Nos aeroportos portugueses ficou uma “grande lição de resiliência” e “mudança de pensamento” na forma como se trabalha sobre cenários inesperados.
O debate terminou com um consenso claro: a intensificação dos fenómenos extremos exige respostas mais robustas, desde a revisão de políticas de segurança até ao reforço das cadeias logísticas e da comunicação, para garantir maior preparação face a futuras crises, cada vez menos previsíveis.






































