Durante o Equator Insights Forum 2026, realizado esta terça-feira, 21 de abril, em Lisboa, o chairman da Touro Capital Partners, António Ramalho, empresa acionista da The Equator Company, defendeu que as organizações enfrentam hoje uma transformação profunda na forma como o risco se manifesta, tornando obsoletos muitos dos modelos tradicionais de avaliação e gestão.
O responsável sublinhou que o risco deixou de ser facilmente identificável e previsível, passando a ter impactos mais severos e difíceis de antecipar, pois “está a mudar no sentido de ser menos visível o risco e de ser muito maior o impacto. E isso é uma mudança substancial no nosso modelo de avaliação”.
Segundo António Ramalho, os modelos clássicos já não refletem a realidade atual: “é brutalmente diferente do modelo que foi dominado por estruturas que determinavam o risco com uma espécie de média ou mediana previsível e com impactos razoavelmente controlados”, explicou, acrescentando que, em áreas como engenharia, ambiente ou operações, “o que acontece hoje é exatamente o contrário”.
Perante este novo contexto, o responsável defendeu uma reconfiguração das prioridades empresariais, começando pela integração da gestão de risco na estratégia. “Isto obriga, primeiro, a dar prioridade à matriz do risco na gestão das empresas”, disse, destacando que alguns setores já começaram esse caminho.
Além disso, apontou a necessidade de trabalhar a interligação entre diferentes riscos e os seus efeitos sistémicos. “Obriga a prever e antecipar e a trabalhar a correlação dos riscos com o risco do setor que cria os impactos”, referiu, salientando a complexidade crescente destas dinâmicas.
António Ramalho alertou ainda para a limitação de abordagens baseadas apenas em probabilidades conhecidas, defendendo que é necessário ir além do que já está mapeado. Apesar disso, reconhece que hoje existem mais ferramentas e conhecimento disponíveis para lidar com o risco.
No entanto, considerou que falta um debate mais estruturado e coletivo sobre diferentes tipos de risco: “precisamos de uma discussão séria sobre riscos antecipáveis, riscos recorrentes, riscos imprevisíveis de elevado impacto e até riscos que estamos dispostos a correr”.
O chairman também disse que nem todos os riscos podem ser eliminados, sendo essencial desenvolver mecanismos de mitigação e partilha.
A imprevisibilidade crescente foi ilustrada com exemplos do quotidiano, reforçando a ideia de que mesmo situações simples podem falhar devido a fatores inesperados. Para António Ramalho, isso demonstra que os modelos baseados apenas na repetição do passado já não são suficientes.
“Há um novo trabalho para fazer”, concluiu, apontando para a necessidade de adaptação contínua num contexto global cada vez mais incerto.






































