Num debate sobre energia, água e comunicações, durante o Equator Insights Forum 2026, três especialistas chamaram a atenção para as vulnerabilidades dos sistemas essenciais perante falhas energéticas e outras crises ligadas a fenómenos extremos, defendendo mudanças estruturais e maior preparação para crises futuras.
António Carmona Rodrigues, Presidente do Grupo Águas de Portugal, começou por revelar que a entidade tem um conjunto de infraestruturas críticas para o abastecimento de água, mas que as falhas energéticas podem sim influenciar este processo. Algumas infraestruturas contam com geradores e baterias para garantir os caudais mínimos em situações excecionais como os fenómenos extremos, mas o importante é os problemas resolverem-se com maior rapidez possível.
No caso do AdP, estão em curso medidas não só hídricas, mas também energéticas, de forma a melhorar a eficiência e resiliência dos sistemas de água e saneamento, além do potencial de ir buscar água a outras origens.
Todavia, é “mal compreendido o valor para a resiliência”, pois “esta tem um preço” e é preciso fazer perceber que é preciso pagar para mudar e melhorar.
Também nesta conversa, Pedro Furtado da REN explicou com o sistema elétrico nacional está preparado e a ser continuamente ajustado para responder a situações de crise, como o apagão ibérico em abril do ano passado. Falando de um “novo paradigma” e da “necessidade de criar novos instrumentos”, é fundamental “ter muitas interligações para trazer resiliência ao sistema”.
Revelando que “sem planeamento as coisas vão falhar”, o responsável considerou que o apagão ibérico “teve consequências práticas para a sociedade”, essencialmente na necessidade de “ter sempre gente treinada e formada, porque não se pode identificar todos os futuros riscos”.
Por sua vez, Carlos Bouça da MEO, mencionou que o combate às crises passam por “investirmos em processos”, que devem “estar oleados para o próximo fenómeno” – e a rede da MEO “tem vários níveis” para dar resposta, garantiu, pelo menos do lado das comunicações.
Numa situação crítica, a rede é reforçada, mas mesmo assim “quem fica mais prejudicado é quem vive nas periferias e nos ambientes mais rurais”, exatamente o que se pôde observar durante o apagão ibérico.
O debate terminou com uma ideia clara: “o que está em causa são os processos e a capacidade de resposta”, num apelo a sistemas mais resilientes, eficientes e preparados para um futuro incerto.






































