Durante o Equator Insights Forum 2026, em Lisboa, um painel defendeu a necessidade de Portugal reforçar estruturas permanentes de coordenação, melhorar a comunicação com a população e apostar em planeamento e treino contínuos para responder a eventos extremos.
No debate entre João Franca Pestana do Sistema de Segurança Interna e José Pimenta Machado, presidente da APA (Agência Portuguesa do Ambiente), foi sublinhado que os sistemas de resposta a crises devem ser “planeados e treinados”, mesmo quando não são usados frequentemente. “Não é algo que se faça de rotina, é algo que, provavelmente, num governo acontece uma vez”, afirmou um dos intervenientes, defendendo a criação de mecanismos permanentes de apoio técnico às decisões políticas.
Um dos pontos centrais da discussão foi a forma como o Estado comunica riscos à população. Os especialistas contestaram a ideia de que a divulgação de informação possa gerar pânico. “Na realidade, nós sabemos que as pessoas não entram em pânico. O que elas têm, pelo contrário, é uma reação de paralisação”, referiu um dos participantes, defendendo que a comunicação deve ser clara e orientada para ações concretas.
Foi também destacado que, em situações de emergência, a existência de múltiplos modelos de previsão pode gerar confusão pública.
“Gerir uma crise é tomar decisões sobre escassez (…) e exige cruzamento de informação entre setores”
Outro tema abordado foi a gestão de riscos naturais, em particular cheias e fenómenos climáticos extremos, como os que Portugal atravessou no início deste ano. Os especialistas distinguiram entre fenómenos naturais e risco, sublinhando que este último resulta da ocupação humana do território. “As cheias são um fenómeno natural. O que não é natural é o risco”, afirmou um dos intervenientes, acrescentando que o problema está na presença de infraestruturas e populações em zonas vulneráveis.
Foi também criticada a construção em áreas de risco e defendido o reforço do planeamento territorial. “Não é aceitável, hoje em dia, construir em zonas conhecidas de risco”, referiu-se, apontando a necessidade de maior cumprimento da cartografia de risco existente.
Os especialistas defenderam ainda a criação ou consolidação de uma estrutura permanente de coordenação para situações de crise transversal, capaz de articular diferentes setores do Estado, como foi o caso da pandemia Covid-19.
Foi também sugerido que o Governo deve apostar menos na criação de novas estruturas e mais na melhoria das existentes, pensando no conceito do ordenamento do território.
Aprender com crises e testar o sistema
No encerramento do debate, foi defendida a necessidade de reforçar a aprendizagem através de simulações e testes de stress regulares. “Temos de aprender com os eventos e aqui passa muito por criar testes de stress”, afirmou um dos especialistas, comparando com práticas já utilizadas noutros setores, como o financeiro.
A ideia central deixada pelos participantes foi a de que a preparação para crises deve ser contínua, integrada e baseada em coordenação eficaz entre instituições, ciência e comunicação pública.






































