Estuário do Sado revela importância ecológica para a conservação dos cavalos-marinhos
O Estuário do Sado tem uma elevada importância ecológica para a conservação de cavalos-marinhos, segundo resultados divulgados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no âmbito do Dia Mundial da Vida Selvagem, que se assinala esta terça-feira, 3 de março.
Os dados resultam dos projetos “Cavalos de Tróia” e “CavalSado”, que recorreram a mergulho científico e ao trabalho de proximidade com entidades locais para avaliar a distribuição, abundância e diversidade destas espécies ao longo do estuário, com especial enfoque nas pradarias de ervas-marinhas, campos de ostras e estruturas portuárias.
Ao todo, foram observados cavalos-marinhos e peixes-agulha em 15 dos 19 locais analisados. Os investigadores registaram 56 indivíduos pertencentes a cinco espécies: cavalo-marinho-de-focinho-comprido, cavalo-marinho-comum, marinha-comum, marinha-de-focinho-grosso e agulhinha.
O estudo permitiu identificar três áreas consideradas prioritárias para a conservação — Soltróia, Marina de Tróia e Marina Marbella — classificadas como verdadeiros “hotspots” devido à abundância e diversidade de espécies registadas.
Os investigadores alertam, contudo, para várias ameaças que persistem no estuário, nomeadamente a degradação de habitats, o lixo marinho e o ruído subaquático, fatores que afetam particularmente estas espécies.
Pela primeira vez foi ainda identificado, no estuário, um jardim de gorgónias, corais de água fria, a baixa profundidade e em substrato móvel, uma ocorrência que, segundo os responsáveis pelo estudo, não estava até agora documentada em ambientes estuarinos.
De acordo com o ICNF, esta informação científica constitui uma base essencial para a monitorização futura e para apoiar decisões de gestão, ordenamento do território e definição de medidas de proteção no estuário.
Os cavalos-marinhos são considerados espécies-bandeira para a conservação marinha. Têm baixa capacidade de dispersão, elevada dependência de habitats específicos e funcionam como indicadores da qualidade ambiental dos sistemas costeiros e estuarinos. A sua proteção contribui, por isso, diretamente para a preservação da biodiversidade associada e para a sustentabilidade dos ecossistemas marinhos.
A investigação resulta de uma colaboração entre diversas entidades públicas e privadas, incluindo a MARDIVE – Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha, o MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, a NOVA FCT, a ARNET, o ICNF, a TRÓIA-NATURA, o Programa Mares Circulares da Coca-Cola em Portugal, implementado pela Liga para a Proteção da Natureza, e a Câmara Municipal de Setúbal.
Os responsáveis consideram que os projetos representam um passo decisivo no conhecimento e valorização do património natural do Estuário do Sado, reforçando o papel da ciência como ferramenta essencial para a conservação marinha em Portugal.