Estudo diz que passado climático da Terra aponta para futuro super-aquecido

Estudo diz que passado climático da Terra aponta para futuro super-aquecido

O nosso planeta pode ficar insuportavelmente quente, mesmo que os gases de efeito estufa na atmosfera permaneçam nos níveis atuais, de acordo com a primeira reconstrução das temperaturas da superfície de dois milhões de anos, publicada na segunda-feira (26) na revista científica Nature, noticiou hoje o site Ambiente Brasil.

“A estabilização dos níveis atuais de gases com efeito estufa já pode comprometer a Terra para um eventual aquecimento total de cinco graus Celsius ao longo dos próximos milénios”, revela o estudo. O comentário refere-se a uma faixa de aquecimento prevista de 3º C a 7º C.

Mesmo um aquecimento de 3º C pode, a longo prazo, desencadear um turbilhão de impactos nas alterações climáticas, incluindo tempestades causadas pela elevação dos mares, ondas de calor mortais e graves inundações, disse o estudo.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) disse que as concentrações atmosféricas atuais do principal gás de efeito estufa, o CO2 – pouco mais de 400 partes por milhão (ppm) – podem, durante o próximo século, empurrar as temperaturas médias globais entre 2º C e 2,4º C acima do ponto de referência da era pré-industrial.

O IPCC concluiu que o aquecimento global de 2º C é um limite relativamente seguro para a humanidade para a maioria das regiões.

Mas um aumento recente de eventos climáticos extremos levou os líderes mundiais a inscreverem um limite de aquecimento ainda mais rigoroso, “bem abaixo de dois graus” Celsius, no Acordo de Paris, assinado por 195 nações em dezembro.

O planeta já aqueceu 1,0º C em relação aos níveis pré-industriais, e dentro de uma década pode registrar um aumento de 1,5º C, disseram cientistas em uma conferência em Oxford na semana passada.

O novo estudo, realizado pela paleoclimatologista Carolyn Snyder, do Programa Interdisciplinar em Meio Ambiente e Recursos da Universidade de Stanford, é o primeiro a reunir um registo contínuo das temperaturas médias da superfície que remonta há dois milhões de anos.