Estudo identifica gás radioativo e outros poluentes em creches e escolas

by Inês Gromicho | 23 Setembro 2015 09:53

Quantidades surpreendentemente excessivas de radão – um gás radioativo cancerígeno – foram encontradas em infantários e escolas primárias do distrito de Bragança, segundo um novo estudo sobre a poluição do ar em estabelecimentos de ensino em Portugal, faz alusão o jornal Público.

Ao longo de três anos, investigadores da Universidade do Porto realizaram medições detalhadas da qualidade do ar em 58 salas de 25 creches, jardins de infância e escolas primárias da Área Metropolitana do Porto e do distrito e Bragança. Os resultados – que são apresentados esta quarta-feira – mostram um retrato que, em parte, não é novo: o ar estava mais poluído do que é admissível na maioria dos casos.

Havia partículas finas a mais em 84% das salas avaliadas, segundo os limites sugeridos pela Organização Mundial de Saúde, e em 54%, segundo a legislação nacional. Metade das salas tinha também dióxido de carbono a mais. O resultado mais inesperado, porém, foi a identificação de níveis elevados de radão nos estabelecimentos do distrito de Bragança.

O radão é um gás natural, normalmente associado a solos graníticos. É reconhecido como a segunda causa de cancro do pulmão, depois do tabaco. Os efeitos na saúde dependem do nível de exposição. O radão está presente em várias zonas do país. Segundo a legislação nacional, é obrigatório realizar análises à sua concentração em grandes edifícios comerciais e de serviços nos distritos de Braga, Vila Real, Porto, Guarda, Viseu e Castelo Branco. Mas em Bragança não.

As análises efetuadas nas creches e escolas primárias, no entanto, revelaram “valores preocupantes”, nas palavras de Sofia Sousa, investigadora principal do projeto Inairchild, liderado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e envolvendo também a Faculdade de Medicina da mesma instituição e o hospital de São João, no Porto.

Os valores chegam a cerca de 800 becquerels por metro cúbico, duas vezes o limite máximo previsto na legislação nacional e quatro vezes o adotado em alguns países, como Irlanda, Reino Unido, Espanha e Suécia. Das salas avaliadas no distrito de Bragança, 65% tinham radão a mais. “Pode ter a ver com os materiais de construção”, avalia Sofia Sousa.

 

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