Federação Sindical diz que cruzeiro para avaliar stock da sardinha não avança até acordo com Governo

Federação Sindical diz que cruzeiro para avaliar stock da sardinha não avança até acordo com Governo

A Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS) garantiu ontem que o cruzeiro científico para avaliar o stock da sardinha não avança até haver acordo entre os investigadores do IPMA e o Governo, refere a “Lusa”. “Temos uma reunião marcada [para hoje] com o secretário de Estado das Pesas no sentido de resolver a situação para que o navio [Noruega] possa arrancar. Temos um pré-aviso de greve que só termina em 24 de abril. [Porém], enquanto o problema não estiver resolvido, não há investigadores no Noruega, é uma garantia que podemos já dar ao Governo”, indicou um dirigente da FNSTFPS, Orlando Gonçalves, à “Lusa”.

De acordo com o sindicalista, em causa está a reatribuição de um subsídio de embarque, de cerca de 50 euros, retirado aos trabalhadores em 2012. “Já com este Governo começaram a ser atribuídas duas horas diárias de trabalho extraordinário para compensar a retirada desse complemento […] e ainda assim, como a lei limita a atribuição a duas horas por dia e a 150 horas por ano, quando [se atinge esse limite] mesmo havendo mais dias de embarque, não lhes é pago qualquer complemento”, explicou.

Para Orlando Gonçalves, a reposição do subsídio de embarque não representa “absolutamente nada” em termos de impacto orçamental, uma vez que é atribuído a “um número reduzido de trabalhadores”. “Neste navio, para uma campanha de 35 dias, seriam 12 investigadores. Passados 13 ou 14 dias alguns são substituídos e outros mantêm-se”, referiu.

Deste número, cerca de metade dos trabalhadores são “bolseiros”, ou seja, não pertencem ao mapa de trabalhadores, não estando, por isso, abrangidos com o complemento em causa. No entanto, segundo a federação sindical, estes funcionários juntaram-se “em solidariedade” à greve dos investigadores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

O dirigente notou ainda a existência de “fracas condições” a bordo da embarcação em causa, não se prevendo para já, uma data para a utilização de novos navios. “Houve a promessa da senhora ministra [do Mar], no início deste mandato, de que em maio de 2016 estariam no mar os novos navios de investigação, passaram-se dois anos e até hoje os navios continuam no estaleiro”, sublinhou ontem.

Orlando Gonçalves garantiu ainda que os trabalhadores demonstram vontade em prosseguir com novas formas de luta, caso o Governo não avance com a reposição do subsídio. “O Governo tem vindo a dizer que só por portaria é que se pode atribuir este complemento, mas há outras situações […] em que foram atribuídos complementos sem sequer que a tabela única tivesse sido regulamentada. Todos os dias em que estiver prevista a saída do navio os trabalhadores vão estar em greve, demore isso o tempo que demorar”, concluiu.

Na quarta-feira, o IPMA disse à Lusa que o cruzeiro científico, cujo início estava previsto para ontem, tinha como objetivo avaliar a evolução do stock da sardinha e de outras espécies como a cavala e o biqueirão. “A campanha Pelago2018, [cujo início estava previsto para ontem], é realizada anualmente na primavera com o objetivo de ter estimativas da abundância, distribuição geográfica e biologia da sardinha e de outras espécies pelágicas como o biqueirão, a cavala, o carapau, entre outros, através do método da eco-integração”, adiantou, na altura, a direção do IPMA em resposta à “Lusa”.

*Foto de Reuters