Governo reforça gestão do Alqueva para garantir água, proteger Guadiana e responder às alterações climáticas

O Governo aprovou um novo enquadramento estratégico para a gestão do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA), que aumenta o volume de água utilizável para a agricultura, o abastecimento público e a indústria, ao mesmo tempo que reforça a proteção ambiental do rio Guadiana e a resiliência do sistema face à escassez hídrica.

O despacho conjunto da Ministra do Ambiente e Energia e do Ministro da Agricultura e Mar determina a revisão do regime de exploração do EFMA e dos contratos associados ao sistema Alqueva-Pedrógão, adequando-os aos desafios das alterações climáticas, à crescente procura de água e aos compromissos ambientais e internacionais assumidos por Portugal.

No âmbito desta decisão, o volume anual máximo de água afeto aos diferentes usos passa de 620 hm³ para 730 hm³ por ano, correspondendo a um aumento de 110 hm³, dos quais 100 hm³ para a agricultura e 10 hm³ para o abastecimento público e industrial. O novo quadro prevê 690 hm³/ano para rega e 40 hm³/ano para abastecimento público e industrial, permitindo responder à elevada adesão ao regadio, à procura urbana e industrial e ao desenvolvimento sustentável da região.

Este reforço de disponibilidade hídrica está sujeito a critérios hidrológicos rigorosos, à existência de planos de contingência para situações de seca e à manutenção de uma reserva permanente de 120 hm³, destinada a garantir até três anos de consumo urbano, assegurando segurança hídrica em cenários climáticos adversos.

A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, afirma que “esta revisão marca uma viragem estrutural na política da água em Portugal. O Alqueva tem de continuar a ser um motor do desenvolvimento do Alentejo, mas também um exemplo de governação responsável da água. Estamos a integrar os compromissos internacionais de Portugal, a responder às alterações climáticas e a garantir que o Guadiana, a agricultura e o abastecimento público ficam mais protegidos para as próximas décadas”.

O Ministro da Agricultura e Mar sublinha que, com esta decisão, “fica garantida a estabilidade dos investimentos já realizados e criadas as condições necessárias para acolher novos projetos”, acrescentando que o novo regime “permite levar a água de Alqueva mais longe, sem abdicar da utilização eficiente e responsável dos recursos hídricos”.

O novo enquadramento reforça também as exigências de monitorização e governação da água. A EDIA, em articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), passará a assegurar o reporte semanal e automático dos volumes armazenados e transferidos entre as albufeiras do sistema, aumentando a transparência e o controlo público da gestão hídrica.

O despacho determina ainda o desenvolvimento de estudos e projetos para a instalação de novas infraestruturas de regularização de caudais ecológicos em afluentes do rio Guadiana a jusante da barragem de Pedrógão, bem como a promoção de estudos para a interligação da Albufeira de Monte da Rocha com a Albufeira de Santa Clara, reforçando a capacidade de resposta do sistema à variabilidade climática extrema.

Um pilar central desta decisão é a criação de um Programa Ambiental de Longo Prazo para o Estuário do Guadiana, com duração de dez anos, que permitirá monitorizar de forma permanente a qualidade da água, o avanço da cunha salina e o estado ecológico do estuário, assegurando que a gestão do Alqueva contribui ativamente para a recuperação e proteção de um dos mais relevantes sistemas estuarinos do país.

Nos termos do despacho, a EDIA, em articulação com a APA, deverá apresentar ao Governo, no prazo de seis meses, as propostas de alteração do Contrato de Exploração das Centrais Hidroelétricas de Alqueva e Pedrógão e do Contrato de Subconcessão do Domínio Público Hídrico, assegurando a compatibilização entre a gestão da água, a produção de energia, a proteção ambiental e a estabilidade financeira do sistema.