Greenfest: uma “revolução cultural” a circular

Greenfest: uma “revolução cultural” a circular

À partida para a 9ª edição do Greenfest, que decorreu entre os dias 6 a 9 de outubro, no Centro de Congressos do Estoril (CCE), um facto era garantido: “a décima (edição) já está marcada.” A confirmação foi dada por Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, na conferência inaugural deste evento direcionado para as questões ambientais, nomeadamente a preocupação com a sustentabilidade das futuras gerações.
Assumindo-se como um espaço de partilha de ideias e experiências, o festival tinha com tema principal a “Economia Circular”, no intuito de iniciar o debate em torno do desenvolvimento económico global do consumo de recursos finitos aliado à preocupação relativa a produtos e a matérias no mais alto nível da sua utilidade e valor.

Através desta temática, o Greenfest sublinha a necessidade de que surjam novas respostas e soluções para os desafios do crescimento e da coesão e integração social, ao mesmo tempo que se poupa o ambiente e todos os seus recursos naturais, com padrões sustentáveis de produção e consumo.

“Há uma necessidade de vencer um conjunto de utopias. Esta é uma revolução cultural e há necessidade de chamar militantes para a causa”, afirmou Carlos Carreiras. Num evento que pretende “promover políticas de inclusão”, o presidente da Câmara Municipal tomava da palavra, sublinhando “a urgência e a emergência”, e demonstrando orgulho numa iniciativa que reúne cada vez mais parceiros e pessoas em torno de causas ambientais.
Seguiu-se Pedro Norton de Matos, mentor do festival, que começou por apresentar a mascote do Greenfest, o “Duca”, que “pretende ajudar a passar a mensagem”. Com a perspetiva de receber cerca de 2000 alunos e professores, a mensagem passa pela importância de uma “educação para a cidadania ativa, para a sustentabilidade, para o ambiente e todos os valores associados.”

Centrando-se no tema deste ano, Pedro Norton de Matos fez questão de referir que esta economia de que se fala é a “economia de desperdício zero, onde não se fala apenas de ciência, mas também do desperdício do capital humano”. “A natureza é um laboratório vivo. Temos que estar cara a cara com a ela”, sublinha.

Por fim, anunciou ainda a 10ª edição, que se realizará de 28 de setembro a 1 de outubro, e destacou a parceria com a Câmara Municipal de Cascais, através de “um plataforma aberta, inclusiva e de diálogo”, num apoio onde “não há cores”, apenas cooperação.

Por outro lado, a edição deste ano teve como país convidado a Suécia. Sten Engdahl, representante da embaixada do país nórdico, veio agradecer pelo convite feito. “Iremos partilhar nestes dias o que de melhor se faz na vertente social, económica e ambiental”, declara. Pela segunda vez seguida como convidados do Greenfest, Sten Engdahl veio sublinhar o facto da Suécia “ser o país líder a nível mundial em iniciativas de sustentabilidade. Falar de sustentabilidade é continuar a mudança no processo de desenvolvimento”.

Em linha com as “prioridades do governo sueco”, refere “que esperam constituir-se como uma inspiração para outros países”, sobretudo na construção de cidades sustentáveis. Para além disso, referiu ainda que a Suécia pretende “suprimir os combustíveis fósseis até 2030”.

“Desmaterializar para durar”, é assim que coloca a questão Célia Ramos, Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza que veio reforçar a importância deste debate. “A forma e velocidade com que usamos os nossos recursos são insustentáveis. É por isso necessário um novo paradigma”. Tal como o tema deste ano, trata-se de “uma transição de um modelo linear para um modelo circular”, algo que considera “imperativo fomentar no sistema económico” e que só assim se poderá “preservar o capital natural da biosfera”.

Termina ainda com um incentivo para o Greenfest: “que seja este o momento em que deixamos de vez a biodiversidade e a conservação da natureza no fundo das nossas prioridades”.