Grupo de países africanos quer restaurar 100 milhões de hectares de florestas

Categoria Ambiente, Florestas

Uma coligação de 10 países africanos e doadores anunciaram este domingo, dia 6 de dezembro, uma iniciativa ambiciosa que prevê restaurar 100 milhões de hectares (um hectare equivale à área de um campo de futebol) de floresta degradada ou de área desflorestada até 2030. Intitulada Iniciativa de Restauração Africana (AFR100), o projeto pretende recuperar as grandes florestas do continente, permitindo a absorção de dióxido de carbono, um dos fatores da alteração climática em curso, e dando qualidade de vida e trabalho nos meios rurais.

O acordo foi alcançado à margem da 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21), em Paris, e envolve 10 Estados africanos e nove parceiros de financiamento, havendo a possibilidade de garantir apoio técnico por meio de 10 outras parcerias. Entre os doadores estão a União Africana, a Alemanha e o Instituto de Recursos Mundiais (WRI), uma organização não governamental e sem fins lucrativos norte-americana.

Os países que aderiram são: Etiópia, Libéria, Madagáscar, Malawi, Níger, Quénia, República Democrática do Congo, Ruanda, Togo e Uganda.

“A escala deste novo comprometimento na restauração não tem precedentes”, disse Wanjira Mathai, presidente do Movimento da Cintura Verde, instituição que combate a desertificação e a degradação das florestas na África, e filha do fundador, o ganhador do Nobel da Paz Wangari Mathai. “Já vi restaurações de florestas em pequenas e em grandes comunidades em toda a África, mas a promessa de um movimento que incluirá todo o continente é verdadeiramente inspirador. Restaurar a paisagem vai melhorar e enriquecer as comunidades rurais e trará benefícios para os que vivem nas cidades. Todos ganham”.

Os 10 países africanos envolvidos já se comprometeram, por sua vez, a restaurar mais de 30 milhões de hectares e os parceiros, que incluem o Banco Mundial, estão a tentar garantir 1 bilhão de dólares para assegurar o financiamento. Em causa estão ainda mais 540 milhões de dólares destinados ao investimento do impacto do envolvimento do setor privado na Iniciativa AFR100.