ICNF defende “criação de corredores de arborização” e reforço das “áreas arborizadas” no combate à desflorestação

by Cristiana Macedo | 6 Novembro 2020 12:18

Se já foi muito difícil explicar a “ligação” entre “saúde ambiental, humana e animal”, hoje é muito claro para todos que a ligação entre os diferentes sistemas é muito próxima: “Hoje é relativamente mais fácil passar essa mensagem”, afirma Nuno Banza, presidente do Conselho Diretivo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). O responsável falava na 10ª edição do Fórum de Sustentabilidade da The Navigator Company, que, este ano, se dedicou ao tema: “Capital Natural, Valor para os Negócios, a Natureza e a Sociedade”.

Para Nuno Banza, o facto de “estarmos a trabalhar de forma integrada” com os “novos instrumentos de política” que têm como objetivo “enquadrar o que são as novas necessidade” no âmbito daquilo que o território tem sofrido, tem permitido “libertar um conjunto de instrumentos” e “ter como estratégia” a “criação de um conjunto de condições que permitam valorizar a paisagem”. E no ICNF há um “esforço grande” de ligação entre aquilo que são os “objetivos de conservação da natureza e da biodiversidade” com o “desígnio do Green Deal” e da “Estratégia de Biodiversidade”, diz o responsável, destacando que o objetivo é “garantir que não perdemos o valor da biodiversidade” e que o “setor florestal contribua de forma ativa não só para a componente da biodiversidade mas também para as alterações climáticas”.

Foto: Lusa

Para tal, há um conjunto de propostas de “intervenção mais direta”, levadas a cabo pelo ICNF. Nuno Banza destaca, desde logo, o desafio de se conseguir chegar aos proprietários, isto é, garantir uma maior ligação ao mundo rural e à estrutura objetiva da propriedade: “Há uma dinâmica de abandono de mundo rural e, muitas vezes, é difícil manter a ligação das pessoas ao próprio território”. Depois, há também a necessidade de se criar “áreas de valorização de habitat” e de “mosaicos de paisagem” que permitam “diversificar a paisagem rural” e, ao mesmo tempo, “criar valor”, refere. Por fim, vem a ligação à biodiversidade e florestas: “Na biodiversidade, temos encontrado que há, tradicionalmente, algum conhecimento adicional que não se prende só com indústria mas que, tem um valor diversificado no conjunto de fileiras diferentes”. Assim, pretende-se garantir que a “visão que temos para a floresta é uma visão que tem a componente da valorização e do seu contributo”, mas também, o “seu elevado potencial em termos de integração no conjunto das fileiras”, refere. No combate à desflorestação, uma realidade em Portugal, o responsável defende que a aposta passe pela “criação de corredores de arborização” e no “reforço das áreas arborizadas”, algo que já tem “acontecido noutros territórios”.

Em notas finais, o responsável destacou a importância de tornar a “paisagem” e os “territórios” mais resilientes. E, embora os esforços do Governo sejam notórios, principalmente em garantir que a “paisagem consegue ser compartimentada” e que o “valor dos territórios rurais não seja perdido” pelos incêndios, por exemplo, o responsável alerta que tal “investimento” precisa de ser acompanhado pelo aumento da ligação das pessoas ao território: “Temos dificuldade em conseguir captar novo investimento para a floresta. Não é uma área apetecível de se investir”, remata.

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