Inês Costa alerta que metas para os resíduos não serão cumpridas enquanto a recolha indiferenciada representar 80%

Inês Costa alerta que metas para os resíduos não serão cumpridas enquanto a recolha indiferenciada representar 80%

A secretária de Estado do Ambiente, Inês Costa, presidiu ontem à abertura do IX Encontro Nacional da Gestão de Recursos, iniciativa anual da Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais (APEMETA). Com mais de metade das emissões de CO2 a resultar da “extração e processamento de materiais”, Inês Costa não tem dúvidas de que as metas não serão alcançadas enquanto “a recolha indiferenciada representar 80%” em Portugal.

A descarbonização também é feita de “melhores respostas no que há gestão de recursos diz respeito”, atenta a responsável, daí o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 traçar “metas ambiciosas” para o setor: a Comissão Europeia (CE) espera implementar um sistema de recolha de bioresíduos até 2023, recolha de têxteis e de pequenas quantidades de resíduos perigosos até 2025 e, no mesmo ano, alcançar 55% de reciclagem de resíduos urbanos, 65% de reciclagem de embalagens e 77% de recolha de garrafas de plástico de uso único.

“Redesenhar” a gestão de resíduos 

Inês Costa admite que “o nosso desempenho até ao dia de hoje não nos deixa muita margem para uma abordagem gradual”. Em 2018, Portugal registou 58% de deposição em aterro, 40% de recuperação de materiais para reutilização e reciclagem e a taxa de resíduos urbanos biodegradáveis depositados em aterro foi de 46% (a meta é 75%).

No seu entender, é “fundamental que todas as entidades compreendam que têm um papel e responsabilidades nesta transformação, sejam elas empresas, cidadãos, municípios, entidades gestores, sistemas ou instituições públicas”.

Acrescenta que se “empurram deveres e responsabilidades” no sentido que de é o cidadão que não separa, é o município que não recolhe, é o sistema que não trata ou a empresa que não recicla. “Todos concordamos que é preciso mudar mas não queremos nós próprios mudar muito”, adverte. No entanto, “fomos todos nós que desenhámos este sistema e esta é a hora de o redesenhar”.

“Repensar” a gestão de bioresíduos

Como? Através de um trabalho efetivo de prevenção, do conhecimento do tempo de vida útil real dos equipamentos garantindo o longo prazo, da penalização das opções que destroem os materiais em vez de os preservarem, de empresas e projetos capazes de absorver os materiais recuperados e de mecanismos para o incentivo de simbioses industriais.

A secretária de Estado do Ambiente avança que o Governo procura “repensar a abordagem para a gestão de bioresíduos a nível nacional”, em termos de investimento, mudança de comportamentos e da sua valorização energética e/ou material:

O POSEUR abriu quatro Avisos, no total de 88 milhões de euros, com o objetivo de aumentar a recolha seletiva de bioresíduos e multimaterial e de modernizar e ampliar as instalações de valorização de resíduos urbanos.

Além disso, o projeto EEA Grants (6,4 milhões) encontra-se aberto até ao final de janeiro de 2020 e existe outro Aviso (25 milhões) – até fevereiro 2020 – para investimentos que contribuam para a valorização dos bioresíduos em Portugal Continental. No próximo ano, também será estabelecido um projeto piloto de devolução de embalagens de bebidas PET (1,7 milhões).

Rita Inácio, IX Encontro Nacional da Gestão de Recursos APEMETA