A inovação na reciclagem e reutilização de baterias está a crescer a um ritmo acelerado, impulsionada pela pressão sobre o acesso a matérias-primas críticas e pela necessidade de reforçar a segurança energética. Um estudo divulgado pela Organização Europeia de Patentes (OEP) e pela Agência Internacional de Energia (AIE) revela que as famílias internacionais de patentes (IPFs) ligadas à circularidade das baterias registaram um crescimento médio anual de 42% entre 2017 e 2023.
Segundo o relatório, este avanço supera largamente o ritmo de inovação no fabrico de baterias e noutros setores tecnológicos, refletindo a crescente importância de soluções que permitam reutilizar, reciclar e reaproveitar materiais críticos.
A transição energética e a eletrificação do setor automóvel estão a impulsionar esta tendência. Em 2025, mais de um quarto dos automóveis vendidos no mundo foram elétricos. No entanto, prevê-se que cerca de 1,2 milhões de baterias atinjam o fim de vida até 2030, número que poderá subir para 14 milhões em 2040, colocando pressão adicional sobre cadeias de abastecimento já altamente concentradas.
Para António Campinos, presidente da OEP, a inovação neste domínio é determinante para o futuro industrial e ambiental: “As tecnologias de circularidade das baterias são essenciais para assegurar recursos, reforçar a competitividade e reduzir o impacto ambiental”.
Também o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, sublinha que “o pleno valor das baterias só será concretizado com sistemas circulares robustos”, destacando o potencial destas soluções para reduzir a dependência de minerais críticos e criar novas oportunidades económicas.
Ásia lidera, Europa tenta ganhar terreno
O estudo mostra que a Ásia domina a inovação na área, sendo responsável por 63% das patentes internacionais em 2023. Empresas japonesas e sul-coreanas lideraram o setor até 2019, mas foram entretanto ultrapassadas por empresas chinesas, com destaque para a forte subida da participação da China — de 5% em 2013 para 29% em 2023.
Na Europa, a inovação representa cerca de 20% das patentes e está mais concentrada na recolha de baterias usadas e na sua transformação em matérias-primas para novos produtos. Este posicionamento reflete o papel atual do continente, ainda mais centrado no consumo do que na produção de baterias.
Apesar de um crescimento mais moderado, os autores do relatório consideram que a Europa tem condições para reforçar a sua posição, sobretudo através de políticas públicas e do desenvolvimento de cadeias de valor circulares.
Economia circular como resposta estratégica
As tecnologias de circularidade, que incluem reciclagem, reutilização em veículos e reaproveitamento para outras aplicações, são apontadas como uma resposta crucial aos desafios da transição energética.
Além de reduzirem o impacto ambiental, estas soluções podem aliviar a pressão sobre recursos escassos e tornar o sistema energético mais resiliente.
O relatório destaca ainda o papel crescente de ferramentas digitais e bases de dados de patentes na identificação de tendências tecnológicas e oportunidades de investimento, incluindo plataformas desenvolvidas pela OEP para mapear inovação no setor da energia limpa.






































