INOVSEA fortalece posição marítima das regiões Alto Minho e Baixo Mondego

INOVSEA fortalece posição marítima das regiões Alto Minho e Baixo Mondego

Depois de elaborado um levantamento da capacidade instalada e de proposto um ambicioso plano de ação, o projeto INOVSEA encontra-se a dar os últimos passos, com a realização das jornadas de inovação e transferência de conhecimento, subordinadas às temáticas das redes de inovação, de cooperação, de exportação e da competitividade, e que vão decorrer na Figueira da Foz e em Viana do Castelo, com duas edições em cada cidade. Ao mesmo tempo, estão a ser realizados u workshops temáticos, destinados a estimular a capacidade inovadora das empresas. A Ambiente Magazine esteve à conversa com Manuel Cunha Júnior, presidente da AEVC (Associação Empresarial de Viana do Castelo), e Nuno Lopes, presidente da ACIFF (Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz). As duas associações são as promotoras do projeto e quisemos perceber em que ponto se encontra o INOVSEA.

“Conseguiu-se promover o networking e a capacidade de criação de redes de cooperação entre os diversos agentes da economia do mar, com o objetivo de criar um setor mais sustentável e criador de riqueza e de emprego”, começa por dizer Manuel Cunha, sobre os feitos que o INOVSEA concretizou. Com implementação do projeto, foi também possível “fortalecer a posição marítima das regiões”, através de um “tecido empresarial mais dinâmico e competitivo, aumentando o valor acrescentado e o volume de negócios das em­presas da fileira do mar e a capacidade de inovação, graças a uma massa crítica de empresas inovadoras”, refere o responsável, dando nota da “promoção do desenvolvimento das atividades emergentes, inova­doras e qualificadas, ajudando as empresas a ganhar maturidade e escala, preparando-as para alcançarem uma maior penetração em mercados internacionais e atrair investi­mento para o setor”.

200 mil empregos diretos

Nuno Lopes

Tratando-se de regiões costeiras, o peso da Economia do Mar no Alto Minho e no Baixo Mondego é crucial: “A Economia do Mar representa cerca de 5% do PIB nacional e 4% do total do emprego. Nestas duas regiões costeiras, devido à importância do turismo, da construção naval e da pesca e da aquicultura, esta importância é substancialmente superior”, refere Nuno Lopes. Para ser mais preciso, o presidente da ACIFF refere que, no Alto Minho, a Economia do Mar é composta por “mais de 300 entidades” que representam um “volume de negócios de 204 milhões de euros, exportações de 91 milhões e um VAB de 62 mi­lhões”. Já no Baixo Mondego, integra “mais de 200 entidades, significando uma faturação anual a rondar os 125 milhões, expor­tações de 40 milhões e um VAB de 27 milhões de euros”. A nível nacional, a Economia do Mar representa quase “200 mil empregos diretos”, sendo as fileiras do “turismo e da pesca e da aquicultura” as maiores empregadoras. Em cada região, esta tendência mantém-se, ainda que possa haver pequenas diferenças em função dos setores mais dinâmicos em cada uma: “O Alto Minho emprega diretamente cerca de 2000 pessoas e no Baixo Mondego mais de 1100 pessoas trabalham em empresas da Economia do Mar”, exemplifica. Segundo o responsável, são os serviços turísticos, de alojamento e de restauração os que mais exportam, seguido do setor dos produtos alimentares e oriundos da pesca. De uma forma global, “as empresas da Economia do Mar representam 4,5 mil milhões de euros em exportações” e as atividades mais características da Economia do Mar, como a “pesca e aquicultura”, a “salicultura”, a “construção naval”, a “atividade portuária”, os “transportes marítimos”, as “obras costeiras” ou a “náutica”, representam “45,8% do total do Valor Acrescentado Bruto e mais de metade do emprego (51,2%)”, sucinta.

“… apoiando as em­presas a “encontrar soluções de financiamento para realizarem in­vestimentos infraestruturais”

Questionado sobre a realidade da economia do Mar nestas regiões, Nuno Lopes refere que é bastante diversa, incorporando um “vasto leque de atividades”, com um “peso económico muito significativo”. No caso do Alto Minho destaca-se a “construção, a manutenção e a reparação naval, mobilizado essencialmente pela construção de embarcações e estrutu­ras flutuantes metálicas”, enquanto que, no Baixo Mondego, verifica-se uma “forte especialização na transformação dos produtos da pesca e da aqua­cultura”, devido ao forte peso de algumas empresas industriais da região, refere. Nas duas áreas geográficas, a “fileira dos transportes marítimos, portos e logís­tica é marcada por várias atividades, direta ou indiretamente ligadas ao respetivo porto”, com destaque para a “organização do transporte”, explica o responsável, acrescentando que o turismo ligado ao mar ainda se encontra “con­centrado na motivação Sol & Mar, predominando as atividades de alo­jamento turístico”, havendo um potencial de diversificação e qualifica­ção por explorar: “Nas duas regiões, esta fileira é aquela que apresenta o maior número de entidades associadas, sejam de natureza empresarial ou associativa, sendo o segundo agregado mais representativo em ter­mos de emprego criado”.

Quanto aos desafios que as regiões enfrentam, o presidente da ACIFF, tendo como base vários estudos, atenta em vários pontos, como a necessidade de se “aprofundar o modelo de desenvolvimento assente no conheci­mento azul e na literacia do mar”; “enraizar uma cultura de baixo carbono e de economia circular em todas as atividades da Economia do Mar”; “promover a modernização e a inovação tecnológica, nomeada­mente ao nível da digitalização e de uma maior incorporação de soluções da indústria 4.0”; “aumentar a penetração em mercados internacionais dos produ­tos e serviços associados ao mar”; e “disseminar conhecimentos de gestão financeira”, apoiando as em­presas a “encontrar soluções de financiamento para realizarem investimentos infraestruturais”, que potenciem a “competitividade das atividades mais maduras ou crescimento consolidado de ati­vidades mais emergentes com elevado potencial de desenvolvi­mento futuro”.

Manuel Cunha Júnior

Com o INOVSEA a dar provas do potencial que deve ser aproveitado no âmbito da Economia do Mar, o presidente da AEVC refere que, apesar destes contributos, ainda há muito trabalho por fazer, lembrando que os objetivos do projeto passam por “dinamizar e estimular todas as fileiras do setor da Economia do Mar”. Sendo já visível o potencial global disponível, Manuel Cunha Júnior atenta ainda que “a zona económica exclusiva (ZEE) portuguesa é uma das maiores do mundo, com mais de 2000 quilómetros de linha de costa, com um extraordinário potencial ao nível dos recursos marinhos e das atividades de turismo, lazer e recreio”. Considerando as principais vantagens de Portugal neste setor económico, o responsável considera que existem ainda “inúmeras possibilidades em atividades específicas”, como a” aquacultura”, os “portos marítimos”, a “construção naval” e a “energia”. Por isso, o “investimento e a especialização das regiões em novas atividades emergentes são importantes”, enquanto “motor para um posicionamen­to dianteiro na valorização económica do mar e pela sua importância futura na produção sustentável em quantidade, qualidade e segurança de alimentos e energia ou novos produtos para a saúde”. A este nível, o responsável indica que o Alto Minho destaca-se pelo seu “papel pioneiro e peso da atividade de produção de energias renováveis no VAB e volume de ne­gócios da Economia do Mar”. Mesmo com o Baixo Mondego a demonstrar grande potencial nestas atividades, Manuel Cunha Júnior refere que “as empresas existentes na região são ainda muito jovens”, carecendo de um “maior amadureci­mento para se poderem afirmar” na Economia do Mar.

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Cristiana Macedo