ISQ: Apenas 5% das empresas portuguesas recorrem a financiamento sustentável
Um estudo nacional desenvolvido pelo ISQ e pela UHY revela que o financiamento sustentável continua pouco disseminado nas empresas portuguesas, apesar da sua crescente importância no contexto europeu. Com base em 1.062 respostas, representativas de 777 empresas de diferentes setores, regiões e dimensões, o estudo mostra que apenas 38% das empresas afirmam conhecer o conceito de finanças sustentáveis.

A adoção prática destes instrumentos é ainda mais limitada: só 5% das empresas indicaram já ter recorrido a financiamento sustentável. A utilização é mais frequente nas grandes empresas (8%) e nas empresas com atividade internacional, enquanto nas microempresas a taxa de adoção é residual (1%).
O estudo identifica uma forte assimetria no conhecimento, com 55% das grandes empresas a demonstrar familiaridade com o tema, face a apenas 27% das microempresas. O conhecimento aprofundado da regulamentação europeia em sustentabilidade é reduzido, sendo referido por apenas 11% das empresas, o que constitui um dos principais entraves à adoção.
Entre as empresas que já utilizaram financiamento sustentável, os instrumentos mais recorrentes foram os Green Bonds/Loans (42%) e os Sustainability-Linked Bonds/Loans (33%), sendo que 73% dos financiamentos envolveram montantes inferiores a 5 milhões de euros. A mitigação das alterações climáticas surge como o
principal objetivo de investimento.
Apesar da baixa adesão, a perceção é maioritariamente positiva: mais de 60% das empresas consideram o financiamento sustentável mais vantajoso do que o tradicional, destacando benefícios como melhoria da imagem institucional, redução de custos e maior alinhamento estratégico com critérios ESG.
Quanto ao futuro, apenas 16% das empresas indicam planos concretos para recorrer a financiamento sustentável no curto ou médio prazo, embora 21% manifestem interesse em aprofundar o tema. O estudo conclui que é essencial reforçar a divulgação, a capacitação técnica e a simplificação dos mecanismos de acesso, sobretudo para as PME, de forma a acelerar a transição para uma economia mais sustentável em Portugal.