João Galamba entende medo das populações em relação ao lítio mas garante minimização dos impactos

João Galamba entende medo das populações em relação ao lítio mas garante minimização dos impactos

Categoria Ambiente, Energia

O secretário de Estado da Energia, João Galamba, afirmou hoje que é normal que as populações “desconfiem e tenham medo” da prospeção e exploração de lítio, mas sublinhou que serão reforçadas as medidas para minimizar os impactos, noticia a Lusa.

Falando aos jornalistas no Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, em Braga, durante a Portuguese Summit on Battery 2030, Galamba adiantou que o concurso para a prospeção deverá ser lançado em junho e que as empresas terão depois um período de cinco anos para concretizarem esses trabalhos. “É normal que [as populações] desconfiem e tenham medo. O que nos cabe fazer é transmitir informação e criar as medidas necessárias para minimizar os riscos”, referiu.

Disse que o Governo deu “dimensão” ao controlo ambiental, desde logo obrigando a que as empresas envolvidas na prospeção procedam anualmente à recuperação das zonas intervencionadas. “Vamos obrigar a uma recuperação em contínuo, no final do primeiro ano de trabalho já tem de ter em marcha a recuperação ambiental e paisagística desse mesmo ano. Minimiza-se assim significativamente o impacto”, referiu.

Além disso, a competência de aprovação dos trabalhos, que até aqui era exclusiva da Direção-Geral de Energia e Geologia, foi alargada a outras entidades, como a Agência Portuguesa do Ambiente, o Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas e as comissões de coordenação de desenvolvimento regional. João Galamba disse ainda que depois, se se decidir avançar para a exploração de lítio, a atividade será sempre precedida de um estudo de impacto ambiental.

O governante frisou que o lítio é um mineral que tem “papel central” em toda a agenda transição energética e descarbonização da economia, sublinhando que Portugal “tem a vantagem única na Europa de ter este recurso em abundância”. “Não temos um projeto mineiro, mas sim um projeto de investigação e desenvolvimento industrial que precisa da componente mineira para colocar Portugal na liderança desta área”, ressalvou.

Considerou que o país tem condições “para agregar toda a cadeia de valor do lítio”, desde a parte mineira até à parte industrial e do mercado das baterias. “Queremos colocar Portugal na liderança dessa estratégia, porque temos algo que os outros não têm, temos o recurso e isso dá-nos uma vantagem muito grande. Por termos o recurso, queremos atrair todo o resto, que é a parte mais importante, e temos condições ímpares na Europa para o conseguir”, disse ainda.