Nesta quarta-feira, 20 de maio, que se assinala o Dia Mundial das Abelhas, a Ambiente Magazine esteve à conversa com Joana Bandeira, Brand Manager da NESTUM (Nestlé), para falar da iniciativa da marca “Juntos Pelas Abelhas”.
A iniciativa “Juntos pelas Abelhas” chega este ano à sua 6.ª edição. Que balanço faz do impacto do projeto junto dos apicultores portugueses e da sensibilização pública para a importância das abelhas?

O balanço da iniciativa “Juntos pelas Abelhas” é muito positivo e com um impacto significativo e mensurável. Desde o seu início em 2021, o projeto já doou um total de 2.200 colmeias, o que pode representar a reintrodução de mais de 100 milhões de abelhas no ecossistema português. Este apoio material e direto aos apicultores que perderam os seus meios de subsistência em incêndios e tempestades tem sido crucial para a recuperação da sua atividade. Além do apoio direto, o projeto tem um forte pilar de sensibilização, procurando educar o público e as novas gerações sobre a importância vital das abelhas para a biodiversidade, para o planeta e para os seres humanos, inspirando mais pessoas a agir em prol desta causa.
Este ano, a NESTUM duplica o número de colmeias doadas, passando de 300 para 600, incluindo apoio às vítimas das tempestades. O que motivou este reforço do compromisso?
O reforço do compromisso foi uma resposta direta ao aumento alarmante e sem precedentes das ameaças climáticas à apicultura em Portugal. Dados da Federação Nacional de Apicultores de Portugal (FNAP) indicam que os incêndios rurais em 2025 levaram à perda de mais de 9.500 colmeias e as fortes tempestades no início de 2026 destruíram outras 6.600. Perante esta escala de destruição, a NESTUM, uma das marcas icónicas da Nestlé, sentiu a responsabilidade de aumentar o apoio para corresponder à necessidade crescente e ajudar os apicultores a criar resiliência contra estas emergências climáticas.
De que forma fenómenos como os incêndios rurais e as tempestades recentes têm afetado a apicultura em Portugal?
Estes fenómenos têm um impacto devastador. A nível nacional, os incêndios de 2025 resultaram na perda de mais de 9.500 colmeias e as tempestades de 2026 destruíram 6.600 e danificaram mais de 11.600. O impacto é sentido de forma muito crítica a nível regional. Na região de Leiria, por exemplo, a tempestade Kristin afetou diretamente 180 apicultores que perderam 3.992 colmeias, para além da destruição de instalações de apoio e da paisagem, comprometendo a produção de mel.
Que papel podem as marcas como a NESTUM desempenhar na resposta a estes desafios ambientais?
As marcas de grande consumo têm um papel crucial e uma responsabilidade social e ambiental. Assim, a resposta pode ser através de apoio direto, com a implementação de iniciativas que forneçam ajuda materiais e financeira a setores afetados, de educação e sensibilização e de inovação e pesquisa que contribuam para o desenvolvimento de soluções para mitigar as ameaças ambientais em curso.
A preservação das abelhas está diretamente ligada à biodiversidade e à sustentabilidade alimentar. Considera que os consumidores estão hoje mais atentos a estas questões?
Sim, sem dúvida. Há uma tendência clara dos consumidores serem cada vez mais exigentes e atentos ao compromisso ambiental e social das marcas. Estão mais informados, cientes de práticas como o “greenwashing” e procuram autenticidade e provas tangíveis do compromisso de uma marca. Valorizam cada vez mais as empresas que demonstram responsabilidade social com atos concretos e com impacto mensurável.
Para além da doação de colmeias, a NESTUM tem vindo a apostar na Academia de Apicultura. Qual é a importância da formação e capacitação para garantir o futuro da atividade apícola em Portugal?
A Academia de Apicultura é um pilar estratégico do projeto e representa o investimento a longo prazo no setor. A sua importância reside em garantir o futuro e a sustentabilidade da apicultura em Portugal, formando e capacitando uma nova geração de profissionais do setor. Ao transmitir competências e conhecimento, a Academia ajuda a renovar a indústria, assegurando que a prática vital da apicultura se mantém e fortalece, salvaguardando assim os “guardiões das abelhas” para os próximos anos. A primeira edição formou 50 novos apicultores.
Olhando para o futuro, como pretende a NESTUM continuar a desenvolver o projeto “Juntos pelas Abelhas” e que objetivos gostariam ainda de alcançar com esta iniciativa?
Para o futuro, a NESTUM pretende assegurar a continuidade do projeto, fazendo-o evoluir ano após ano para responder às necessidades reais e emergentes do setor apícola. Os objetivos passam por continuar a promover a biodiversidade através do repovoamento de abelhas e apostar na continuidade da Academia de Apicultura, reforçando o investimento na capacitação de profissionais. O objetivo final é continuar a apoiar um setor que é vital para o ecossistema e para a marca (dado que o mel é um ingrediente-chave de NESTUM Mel), e ser associado à proteção da biodiversidade no planeta.














































