Lixo em Aveiro dava para encher 58km da autoestrada

Lixo em Aveiro dava para encher 58km da autoestrada

Categoria Ambiente, Resíduos

Cada um dos 78 450 habitantes de Aveiro fez em média 1,2 quilos de lixo por dia em 2016, contribuindo para que no município tenham sido recolhidos 35 147 toneladas de resíduos indiferenciados, segundo os dados facultados ao DN pela Câmara. Para se ter uma ideia, o lixo é equivalente a quatro edifícios da Segurança Social (um dos maiores prédios da cidade). Numa equivalência em camiões de recolha de lixo, teríamos uma fila na autoestrada do Norte, entre Aveiro Sul e o nó dos Carvalhos, 3906 viaturas alinhadas ao longo de 58,6 quilómetros.

É uma imagem impressionante mas que não mostra grandes alternativas relativamente aos últimos anos. Comparativamente com 2015, houve em 2016 um aumento de 1,7% mas no ano anterior tinha havido uma ligeira descida. Como diz a vereadora Raquel Madureira, “nota-se nos últimos quatro anos uma estabilização na quantidade de resíduos urbanos indiferenciados”. A autarca admite que possa refletir a manutenção do poder de compra.

“De cada vez que vamos ao supermercado trazemos um carrinho de lixo, porque a parte que consumimos é muito inferior às embalagens e ao que desperdiçamos, e normalmente os resíduos refletem o poder de compra”, resume ao Jornal de Notícias um técnico desta área.

Ecopontos menos procurados

Também na recolha seletiva não há grandes variações. E ao contrário do que seria desejável, os resíduos colocados nos ecopontos voltaram a baixar em 2016, em 1%. Nos 248 ecopontos completos (papelão, vidrão e embalão) instalados no concelho deram entrada 2275 toneladas no ano passado. Cada habitante colocou em média 29 quilos em 2016. Muito distante do 46 que o plano estratégico nacional para os resíduos urbanos prevê para 2020.

Raquel Madureira esperava mais tendo em conta as campanhas feitas nas escolas, no comércio e nos mercados, em colaboração com a ERSUC, a empresa que procede à recolha nos ecopontos (os resíduos indiferenciados são da responsabilidade da SUMA). A autarca revela que a recolha seletiva passa “num futuro próximo pela construção de um ecoponto municipal, fulcral para o aumento e para dar solução aos resíduos de construção produzidos nas pequenas obras das habitações”.