No âmbito da 11.ª Conferência Plenária do Conselho Local de Acompanhamento da Ação Climática do Município de Loulé, dedicada ao tema “O caminho de Loulé para a Neutralidade Carbónica”, David Pimentel, vice-presidente da Câmara Municipal de Loulé, apresentou o futuro sistema público de bicicletas partilhadas do concelho, durante o painel sobre Mobilidade Urbana Sustentável no Município de Loulé.
A intervenção centrou-se na nova solução municipal, que terá a designação Vela, e que pretende afirmar a bicicleta como alternativa real ao automóvel nas deslocações quotidianas. Segundo David Pimentel, o concelho de Loulé, e em particular as suas zonas urbanas, apresenta condições favoráveis à utilização da bicicleta, mas continua a registar uma forte dependência do transporte individual.
O autarca lembrou que a utilização do automóvel tem vindo a aumentar no concelho: de 66% em 2011 para 68% em 2021, chegando aos 73% nos dados de 2023. Ao mesmo tempo, apenas cerca de 1% das deslocações casa-trabalho ou casa-escola são feitas de bicicleta, apesar de mais de 88% das deslocações no concelho terem duração inferior a 15 minutos.
“Estamos a continuar a privilegiar um meio de transporte que muitas vezes leva apenas uma pessoa dentro da viatura”, afirmou, defendendo a necessidade de recuperar formas de mobilidade mais suaves, ativas e partilhadas.
O novo sistema municipal contará com 490 bicicletas 100% elétricas, 86 estações e mais de 1.000 docas de ancoragem. A opção por um número de docas superior ao de bicicletas visa garantir que os utilizadores encontram facilmente um ponto para deixar o equipamento no final da deslocação.
As bicicletas terão assistência elétrica até aos 25 quilómetros por hora e sistema de georreferenciação, permitindo ao município definir zonas onde a assistência possa ser limitada ou desativada, como junto a escolas, ruas comerciais ou áreas onde se pretenda privilegiar a circulação pedonal.
A empresa responsável pelo sistema será a Nextbike, que venceu o concurso público lançado pelo município. David Pimentel sublinhou que não se trata apenas de adquirir bicicletas, mas de assegurar a gestão integral do serviço ao longo do tempo. O contrato inclui a manutenção, o balanceamento da frota e o relacionamento com os utilizadores durante 60 meses.
O vice-presidente explicou que cerca de 60% do investimento corresponde precisamente à operação, manutenção e gestão do sistema ao longo de cinco anos. “É mais do que comprar o sistema, é gerir o sistema”, afirmou, destacando que estas bicicletas terão uma utilização intensiva e exigem acompanhamento permanente.
O balanceamento será uma componente essencial da operação, permitindo redistribuir bicicletas entre zonas de maior e menor procura, garantindo disponibilidade nas áreas periféricas e nos principais pontos de utilização.
O sistema será implementado de forma integrada em várias zonas do concelho, incluindo Vilamoura, Almancil, Vale do Lobo ou Quinta do Lago, permitindo responder aos movimentos pendulares entre estas áreas urbanas. Vilamoura, que já contava desde 2012 com um sistema de bicicletas partilhadas, deverá ser uma das primeiras zonas a avançar, por já ter estações desenhadas e pontos de ligação à rede identificados.
David Pimentel destacou ainda que o sistema permitirá recolher dados sobre os padrões de utilização, incluindo percursos, zonas de maior procura, locais de estacionamento e frequências de utilização. Essa informação será essencial para ajustar a rede ciclável e apoiar futuras decisões de planeamento com base em dados concretos.
Apesar de o município já contar com cerca de 60 quilómetros de ciclovias, o autarca reconheceu que ainda há trabalho a fazer, nomeadamente na cidade de Loulé, para criar melhores condições de circulação em bicicleta.
O sistema será aberto a residentes, trabalhadores e visitantes, mas o município pretende diferenciar os utilizadores regulares dos ocasionais. O objetivo, explicou David Pimentel, é que as bicicletas sejam usadas sobretudo para funções quotidianas — deslocações casa-trabalho, casa-escola, casa-supermercado — e não apenas para lazer ou utilização turística.
Para os utilizadores ocasionais, poderá existir uma caução significativa e ausência de tempo gratuito de utilização, enquanto os utilizadores regulares deverão beneficiar de um passe anual com valor reduzido, ainda por fechar.
Com esta solução, o Município de Loulé pretende reduzir a dependência do automóvel individual, promover uma mobilidade mais saudável e sustentável e contribuir para os objetivos locais de neutralidade carbónica.
O contrato deverá arrancar nas próximas semanas. Após o início da execução, está prevista a implementação de 50% da solução em 180 dias e da totalidade do sistema em 210 dias, seguindo-se uma fase de exploração de cinco anos.
Por Inês Gromicho








































