Na abertura da 11.ª Conferência Plenária do Conselho Local de Acompanhamento da Ação Climática de Loulé, o presidente da Câmara Municipal defendeu uma visão integrada da ação climática, ligada à qualidade de vida, à habitação, à justiça social e à preparação do território para os desafios das alterações climáticas.
O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, defendeu que o caminho do concelho para a neutralidade carbónica deve ser feito com uma visão integrada, capaz de articular ambiente, sociedade e economia. A posição foi assumida na sessão de abertura da 11.ª Conferência Plenária do Conselho Local de Acompanhamento da Ação Climática do Município de Loulé, dedicada ao tema “O caminho de Loulé para a Neutralidade Carbónica”, que decorreu no dia 19 de maio, no Cineteatro Louletano.
No seu discurso, Telmo Pinto sublinhou que falar de ação climática não é apenas falar de metas nacionais ou europeias, mas sobretudo da forma como a população vive o presente e encara o futuro. “Quando falamos de ação climática, falamos de forma muito concreta de pessoas, de cada um de nós”, afirmou, destacando dimensões como a água, a biodiversidade, a energia, os resíduos, a mobilidade e a qualidade de vida.
O autarca foi claro ao defender que a transição climática não pode ser desligada das condições sociais das comunidades. “Não existe verdadeira ação climática individual sem qualidade de vida”, afirmou, lembrando que temas como a habitação são essenciais para que as preocupações ambientais possam ganhar maturidade na vida quotidiana das famílias.
“Quando falamos de ação climática, falamos de forma muito concreta de pessoas, de cada um de nós”, afirmou, destacando dimensões como a água, a biodiversidade, a energia, os resíduos, a mobilidade e a qualidade de vida.
“Não falamos apenas do ambiente. Falamos de justiça social, falamos de dignidade, falamos de futuro partilhado”, acrescentou Telmo Pinto, defendendo que “não existe neutralidade carbónica sem coesão territorial” nem “ação climática eficaz sem justiça climática”.
O presidente da Câmara enquadrou esta visão no novo ciclo autárquico, afirmando que Loulé quer aprofundar uma estratégia que una desenvolvimento económico, proteção ambiental e valorização das comunidades. Telmo Pinto destacou a singularidade do concelho, que reúne litoral, barrocal e serra, e que tem conseguido atrair investimento e crescer sem perder a ligação às suas raízes, à memória local e às populações.
Mas esse crescimento, advertiu, traz responsabilidades acrescidas. Para o autarca, a emergência climática “já não é uma previsão distante”, mas uma realidade sentida na escassez hídrica, na erosão costeira, nos fenómenos meteorológicos extremos, na perda de biodiversidade e na pressão sobre os recursos naturais.
“O futuro não está à espera e nós também não podemos ficar à espera”, afirmou, considerando que a conferência representa mais do que um momento institucional. Para Telmo Pinto, trata-se de um espaço de corresponsabilização, onde ciência, poder local, empresas, associações e cidadãos se sentam à mesma mesa para construir respostas concretas.
Entre as áreas estratégicas apontadas, o presidente destacou desde logo a proteção do litoral. Loulé avançou recentemente com uma nova operação de reforço e realimentação do troço costeiro, considerada essencial para proteger pessoas, infraestruturas, atividades económicas e património natural. Ainda assim, Telmo Pinto defendeu que o município deve começar desde já a preparar futuras intervenções.
O autarca lembrou que os fenómenos extremos tenderão a atingir o território com maior frequência e que o planeamento não pode ser feito apenas “de 10 em 10 anos”. Nesse sentido, referiu o trabalho em curso com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para a reestruturação dos molhes de Quarteira e para novas intervenções de proteção costeira, integradas numa estratégia de adaptação às alterações climáticas.
“Proteger o litoral não é apenas proteger praias. É proteger comunidades, emprego, economia, identidade e aquilo que queremos dar às gerações futuras”, afirmou.
Recordando o período de seca extrema atravessado pela região, o autarca defendeu a continuidade da aposta em soluções inteligentes de rega, retenção e aproveitamento de água, bem como numa maior eficiência hídrica em todo o território.
A gestão eficiente da água foi outro dos pontos centrais do discurso. Telmo Pinto considerou que, no Algarve, a água deixou de ser apenas uma questão ambiental para se tornar uma questão estratégica “quase existencial”. Recordando o período de seca extrema atravessado pela região, o autarca defendeu a continuidade da aposta em soluções inteligentes de rega, retenção e aproveitamento de água, bem como numa maior eficiência hídrica em todo o território.
Ainda assim, alertou que nenhuma solução será suficientemente eficaz sem o envolvimento ativo de cada cidadão, entidade e utilizador.
O presidente da Câmara de Loulé deixou também um aviso sobre a gestão de resíduos, área que disse preocupá-lo profundamente. Telmo Pinto criticou a contradição entre a rejeição de infraestruturas como aterros ou circulação de camiões e a fraca mudança de comportamentos na produção e separação de resíduos urbanos.
“Produzimos demasiado, desperdiçamos demasiado e ainda reciclamos muito pouco”, afirmou, alertando para o limite da capacidade dos aterros e para as consequências de uma eventual falta de ação. Para o autarca, a urgência climática exige uma mudança feita com participação, educação e responsabilidade partilhada, nas escolas, nas famílias, nas empresas e no espaço público.
A mobilidade sustentável foi igualmente apontada como prioridade. Telmo Pinto referiu projetos que estão a ser desenvolvidos no concelho, incluindo soluções associadas à utilização de bicicletas, defendendo que a criação de hábitos de mobilidade mais sustentável deve ser feita de forma gradual, medindo a procura e ajustando depois os investimentos às utilizações reais.
Outra aposta destacada foi a redução da pobreza energética, nomeadamente através de projetos nas escolas do concelho para melhorar a eficiência energética dos edifícios, promover climatização mais sustentável nas salas de aula e criar melhores condições de conforto térmico para alunos, professores e trabalhadores não docentes. Quando investimos nestas áreas, não estamos apenas a poupar energia. Estamos a melhorar o dia-a-dia de quem aprende e de quem ensina. Estamos a dar o exemplo”, sublinhou.
Telmo Pinto defendeu ainda a valorização do capital natural do concelho, através de ações de reflorestação e de iniciativas que tornem o território mais verde, resistente, preparado para o futuro e humanizado. Para o autarca, a natureza deve ser vista como uma aliada e não como um obstáculo ao desenvolvimento.
Na conclusão, o presidente da Câmara reconheceu que o caminho para a neutralidade carbónica será exigente e implicará investimento, persistência e capacidade de mobilizar a comunidade. No entanto, considerou que esta transição representa também uma oportunidade para inovar, criar emprego qualificado e afirmar Loulé como um concelho pioneiro.
“Acredito sinceramente que Loulé está preparado para este desafio. Mais do que isso, acredito que está preparado para liderar este desafio”, afirmou Telmo Pinto.
Por Inês Gromicho, em Loulé








































