Maiambiente: Recolha porta a porta “torna a separação mais cómoda e mais segura”

Maiambiente: Recolha porta a porta “torna a separação mais cómoda e mais segura”

O vírus do Covid-19 teve impactos nos mais diversos setores de atividade e as empresas de recolha de resíduos não são exceção. Como é que os profissionais procedem à recolha em segurança, como se desinfetam as ruas, que cuidados devemos ter na separação do lixo, nomeadamente de materiais de proteção individual, e como evolui a reciclagem, numa altura em que as pessoas estão confinadas na sua casa. Estas foram algumas das questões que a Ambiente Magazine colocou à Maiambiente, que reforçou a recolha de resíduos prioritários e suspendeu serviços não essenciais. Cerca de 90% da população da Maia é abrangida pela recolha porta-a-porta e Paulo Ramalho, o presidente do Conselho de Administração da empresa, assegura que esse modelo de recolha “torna a separação mais cómoda e mais segura”. 

“O processo de recolha, propriamente dito, mantém-se inalterável” descreve o responsável à Ambiente Magazine. O que mudou face à Covid-19 foi “a periodicidade com que se efetuam as recolhas” dos diferentes resíduos e “o reforço da higienização dos espaços”.

Na recolha porta-a-porta, a Maiambiente reforçou a recolha de resíduos indiferenciados que passou a ser feita duas vezes por semana. No que respeita aos resíduos valorizáveis, como as embalagens de papel/cartão, metálicas e plásticas, passou a ser quinzenal e em semanas alternadas. A recolha de vidro é feita aos sábados. Apenas a recolha de resíduos orgânicos, assim como de objetos volumosos, resíduos elétricos e elétricos e de jardim, foi suspensa porta-a-porta durante a fase de contingência. O horário dos ecocentros do concelho da Maia foi ajustado e limitou-se o seu acesso a quatro utilizadores em simultâneo.

Limpeza e desinfeção

Os serviços de limpeza e desinfeção foram também reforçados, nomeadamente, ao nível da higienização de  contentores no espaço público e lavagem de arruamentos e de paragens de transportes públicos. É feita uma “lavagem a alta pressão com recurso a uma solução de hipoclorito diluído em água, numa concentração de 2,5%, não nociva para a saúde humana e animal”, explica o responsável.

Estes serviços são assegurados por quatro equipas, com dois funcionários cada, da Maiambiente além de equipas das próprias Juntas de Freguesia. Segundo dados da Maiambiente, semanalmente, são desinfetadas em média 235 vias de comunicação e 241 equipamentos de deposição de resíduos, o que se traduz em 479 contentores (um ecoponto equivale a três contentores), mais 156 paragens de autocarro e 90 mobiliários urbanos (ex. WC e cabines telefónicas).

Profissionais “minimizam a probabilidade de contaminação”

Em altura de pandemia os profissionais da Maiambiente “sabem que se protegerem adequadamente estão a minimizar a probabilidade de contaminação”, defende Paulo Ramalho e adianta que “foram criadas todas as condições para que se sintam protegidos”, com o reforço dos Equipamentos de Proteção Individual — uso de máscara e utilização de luvas descartáveis por baixo das luvas de trabalho –, desinfeção das cabines das viaturas e balneários, alteração de horários e serviços reajustados para que as equipas se “cruzem” o menos possível e para que “possamos ter equipa a cada 15 dias em quarentena”.

Para ajudar os profissionais, as pessoas devem colocar máscaras, luvas e outros materiais de proteção/limpeza em sacos descartáveis fechados, posteriormente esse saco colocado dentro de um 2.º saco, no contentor dos resíduos indiferenciados. “Nunca no contentor amarelo, destinado às embalagens”, alerta o responsável.

Recolha Porta a Porta

Paulo Ramalho assegura que este “é um modelo de recolha que torna a separação mais cómoda, e em especial nesta altura, mais segura”, pois permite “garantir a higienização dos próprios equipamentos de deposição e fazer a separação sem ter de se dirigir a um equipamento de via pública utilizado por centenas de utentes”. O presidente do Conselho de Administração avança que 90% da população da Maia está abrangida pela recolha porta a porta. Os restantes 10% apenas não estão por “questões urbanísticas” embora sejam “serviços por equipamentos de rua nas proximidades das suas habitações”.

No mês de março, apesar das alterações aos calendários de recolha em função do Plano de Contingência como o papel/cartão passar de semanal para quinzenal e a população ter que se habituar, registou-se um aumento de 13% das embalagens, 10% do papel/cartão e 1% do vidro no sistema de recolha porta-a-porta. Já em abril, contabiliza-se um aumento de 49% de papel/cartão, 11% de embalagens e 5% de vidro face ao período homólogo.

A recolha porta a porta parece ter também um “efeito positivo” na prevenção da produção de resíduos, uma vez que no global dos resíduos geridos por este sistema, desde o inicio do ano, se verifica um aumento de 5% de resíduos enquanto no sistema de deposição coletiva o aumento foi na ordem dos 9%.

Os valores podem ser “refleto de um mais correto encaminhamento de outras tipologias de resíduos, nomeadamente, de verdes e RCD” que, muitas vezes, são depositados indevidamente “sem possibilidade de deteção prévia à sua descarga nos destinos finais” mas que quando detetados nos equipamentos de recolha porta-a-porta a Maiambiente desencadeia “medidas de sensibilização direta” aos utentes.

Já os resultados ao nível dos equipamentos de uso coletivo, verificou-se em março um aumento de 27% das Embalagens e 23% do Papel/Cartão mas uma queda de 31% do Vidro enquanto em abril houve um crescimento de 23% de Papel/Cartão, 20% das Embalagens e 19% no Vidro, em relação aos mesmos meses em 2019. O mês passado, a recolha indiferenciada nos ecopontos cresceu 8% ao passo que na recolha porta-a-porta diminuiu 2%.